domingo, 26 de maio de 2013

Oi nóis aqui traveis!!

Depois de um longo tempo sem postar nada por aqui, estou de volta. Por vezes precisamos fazer uma longa viagem de volta em nossa trajetória e revirar a terra de nossas raízes.
Parte do que sou e penso está fundamentado lá atrás, na origem rueira em que nos orgulhamos todos de ser uma espécie de antídoto social, protestando e lutando diretamente contra aqueles que tentam reprimir nossa forma de viver. Essas raízes nem sempre se satisfaz com as idéias mas alimenta-se das ações pois todos acreditamos que os sonhos na vida real se transformam em pedras e tijolos que devem ser ordenados e empilhados um a um na construção de um futuro melhor, a concretude da vida.
A distancia nos faz reavaliar as idéias, rever as pessoas e traçar um objetivo mais lúcido. Sempre tive fé que um dia os “espartanos” se uniriam em algo maior. Numa espécie de irmandade onde nenhum de nós se sentiria mais só, um dom reservados apenas aqueles das chamadas “sub-culturas”.
Que as boas coisas se mantenham e se descartem as ruins, que o homossexual brasileiro finalmente aprenda a viver de forma orgulhosa, não o orgulho de uma turba confusa que adota como valores aquilo que todo o restante da sociedade repudia, mas uma irmandade orgulhosa de sua masculinidade, de sua capacidade de reagir frente a incompreensão da sociedade, frente o escarno e as teoria absurda dos fundamentalistas religiosos, uma irmandade de pessoas que conhecem seu lugar e importancia na sociedade, que tem o poder e a vontade de lutar por aquilo que acredita.
Nesta jornada de volta, pude ver e reconhecer muitos potenciais espartanos que construíram seu caminho longe do “meio gay”, colocaram-se entre os outros através da demonstração de seu caráter e por meio dele adquiriram o respeito dos demais, conheci muito gente que na sua homossexualidade se colocam na linha de frente nas ruas e provam aos incrédulos que um homossexual também pode ser um guerreiro e lutar ombro a ombro com aqueles que protestam. O verdadeiro espartano é o guerreiro, não basta apenas ser um “gay discreto sem afetamentos”. Inseris-se em parte daquilo que se rejeita torna toda palavra inválida.
Vamos continuar daqui nossa caminhada...
Vida longa!! Haroo!!


Fundamentalismo Religioso é o Caralho!!


Fundamentalismo religioso é uma merda, é como tentar reconstruir a antiguidade ignorando toda a evolução da humanidade...e olha o quanto essa humanidade se esforçou pra chegar até aqui! É ignorar toda a evolução histórica da sociedade, todas as conquistas da ciência, todos os mártires da liberdade...e cuspir na cara de Cronus!
O mais espantoso no Fundamentalismo religioso é a capacidade de seus adeptos de aceitar mentiras como verdades absolutas pois, excetuando-se alguns poucos, a grande maioria faz uma seleção de interesses naquilo que deve ou não seguir. O que não me interessa, o Livro Sagrado condena, mas o que me interessa, mesmo condenado, eu ignoro...E você sabe que Deus sempre perdoa a ignorância, afinal de contas: Senhor, perdoai, eles não sabem o que fazem...” Será?
O fato é que a ignorância cresce como o mofo em paredes úmidas, se espalha, destrói, deixa tudo feio. No Brasil, religiões fundamentalistas se proliferam como o mais novo e lucrativo negócio do charlatanismo contemporâneo. Líderes escolhidos por Deus, recebem no seu “kit de trabalho” os dons de Salomão de escravizar os demônios e enriquecer a bandeiras despregadas..., e a inteligência, bom...malandragem também é uma espécie de inteligência. Poxa, num lembro, quem foi mesmo que disse que: “Daí a Cezar o que é de Cezar”? Enfim, não importa, os dons são dados aos merecedores do amor divino...Então, dentro dessa coerência, só haveria viado pobre, não é mesmo?
Ah, ta, Deus ama a todos, aos bandidos, aos assassinos, aos homossexuais...
Meu temor, no entanto, é que esse fundamentalismo em um futuro não muito distante transforme nosso país num grandioso “Salém” onde a nova inquizição fará uma festa mandando pra fogueira novos pecadores! Afinal de contas, “viado” e bruxo tão ali, juntinhos...adeptos da luxuria, das vaidades, agridem ao “Novo Senhor” que fez dos “escolhidos” uma manada de acéfalos de pernas peludas e ternos deselegantes das lojas de departamento, somente a falta de vaidade explicaria tanta falta de asseio e cafonice Viver para Deus é viver na fé, e viver na fé é não questionar; mas é não questionar a sabedoria divina, não fala nada sobre a frágil e limitada sabedoria humana dos seus líderes. Ainda bem que Lutero, aquele santo homem sabia disso, traduziu a Bíblia e deu na mão do homem do povo, pra que ele pudesse aprender e questionar, e entender que a verdade que lhe contavam não era a verdade de Deus. Ainda bem que São Francisco, aquele santo homem, também sabia disso e fez o próprio Papa envergonhar-se de sua riqueza. Ahhh, se Jesus não tivesse perdoado Maria Madalena!
Enfim, Fundamentalismo religioso é uma merda, é fruto da limitação cultural e a incapacidade mental de adaptar as heranças culturais, as escrituras sagradas à realidade atual; é uma espécie de escapismo para um tempo onde os ignorantes dominavam a Terra... Opa! Será que os ignorantes estão novamente dominando a Terra? Salvem os bárbaros!
E como dizia a velha canção: “E o alienado, de braços cruzados...”!


A Colônia

Gosto muito de falar do interior porque também sou interiorano. Nasci e vivo no interior porém, mesmo com toda a idade que o tempo me deu, ainda há coisas que não consigo compreender.
Nas pequenas cidades os jovens costumam se reunir em pequenos grupos, um pequeno cosmos de afinidades onde os poucos sonham em se unir aos muitos da capital. Comparo aquele pequeno cosmos como um aquário, pequeno, artificial, onde se está constantemente observado. Qualquer anormalidade é logo notada e os mais fortes comumente devoram os pequenos. Enfim, quando o “peixe” cresce, ou morre sufocado ou migra para o rio, lá vai o caipira para as capitais...Porém isso aí é uma outra historia...
Voltando ao interior, as pracinhas tornam-se os lugares de convívio dos jovens, a polariação entre os jovens héteros e os “outros” é fortemente sentida, e os homossexuais tem logo duas opções, ou assumem a sexualidade e juntam-se a rapaziada afeminada dos “divertidos” da cidade ou optam por fugir para as cidades maiores mais próximas onde terão sua sexualidade explorada em segredo, traquilos em, dessa forma, pouparem-lhe o peso de  serem julgado por seus familiares aguçados pelas tradições viris dos antigos campesinos. Desulpas como a falta de oportunidades de emprego ou estudo dão o álibi necessário a esse êxodo.
Falta-me compreensão para entender o que realmente poderia motivar uma mudança de mentalidade nessas pequenas cidades. Levando-se em conta que nesses pequenos grupos a historia dos indivíduos e facilmente conhecida, esta mesma historia deveria fortalecer a compreensão que o indivíduo homossexual não é um produto falho da sociedade, mas algo natural e que se desenvolve em qualquer grupo. O entrelaçamento das famílias deveria fazer com que estes indivíduos tivessem uma vida muito mais normal, muito mais sociável do que aqueles da capital onde a desumanizasão torna todos anônimos e alimenta julgamentos superficiais pelo desconhecimento de suas origens. No entanto é o contrário, e mais uma vez, os ciclos de migração dos homossexuais se repetem. Prevalecendo sobre a máscara do tradicionalismo, a brutalidade contra o homossexual é cultivada entre os interioranos como um fator de virilidade, principalmente os jovens homossexuais acordam um dia e vêm que não tem mais espaço no local onde nasceram. Não compreendo o quão cego pode se tornar nosso povo interiorano, sempre tão ansioso pelo progresso,  a não perceber que do progresso também faz parte o abandono a tradições ou costumes ultrapassados.    



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Esparta - Sob o Olhar de Plutarco

Os trexos a seguir foram extraídos da obra " A Vida dos Homens Ilustrres", de autoria de Plutarco, traduçao original francesa de 1818.
Plutarco, analisando a vida do governante Licurgo nos traz um dos melhores relatos sobre a vida em Lacônia / Esparta. Licurgo foi o responsável pelas implantações das leis que fizeram de Esparta a cidade guerreira cujos relatos chegaram até nossos dias.

Apresento então estes trechos, dividos por temas para melhor compreensão:
1 – Liderança

“Houve, nessa modificação do estado promovida por Licurgo, muitas novidades, mais a primeira foi a instituição do Senado, o qual, misturando o poder dos reis e igualando a eles quanto à autoridade nas coisas de conseqüência, foi, como diz Platão, um contrapeso salutar no corpo unificado da coisa publica...”

2 – Generosidade

“A segunda novidade de Licurgo, e a de mais ousadia e mais difícil empresa, foi mandar de novo repartir as terras: pois, havendo no país de Lecedemônia grande dificuldade e desigualdade entre os habitantes, porque uns, e a maior parte, eram tão pobres que não tinham uma só polegada de terra, e outros, em bem pequeno número, tão opulentos que possuíam tudo, ele advertiu que, para expulsar da cidade e insolência, a inveja, a avareza, as delícias e, mais a riqueza e a pobreza, que são ainda maiores e mais antigas pestes das cidades...”
  
3 – Riqueza

“depreciou toda espécie de moeda, de ouro e de prata, ordenando que se usasse somente moeda de ferro, da qual ainda uma grande pesada massa era de bem pouco preço, de tal maneira que, para se alojar dela o valor de cem escudos, seria preciso impedir todo um grande celeiro...”

4 – Consumismo e Protecionismo

“Depois disso, baniu também todos os misteres supérfluos e inúteis, e, ainda que por édito não os tivesse perseguido, teriam assim desaparecido todos, ou a maior parte, com o usa da moeda, quando não mais encontrassem quem ficassem com seus trabalhos, porque as moedas de ferro não tinham curso nas outras cidades da Grécia, antes zombavam dela por toda parte, e dessa forma não podiam os Lacedemônios comprar mercadorias estrangeiras...”

5 – Humildade, tolerância e bons hábitos alimentares

 "...ordenou que eles (os cidadãos de Lecedemônia, comessem juntos das mesmas viandas..., proibia de comerem a parte e em particular sobre ricas mesas e leitos suntiosos, abusando do labor dos excelentes operários e requintados cozinheiros, para engordarem em segredo e nas trevas, como se engordam os animais glutões: o que arruína e corrompe não somente as condições da alma, mas também as compleições do corpo...”

6 –  Aprendizado

“As próprias crianças iam a esses convívios, nem mais nem menos do que a escolas de honra e temperança, onde ouviam boas e graves palestras referentes ao governo da coisa publica, por mestres que não eram mercenários”

7 – Respeito

“Pois é uma qualidade entre os Lecedemônios, tolerar com paciência uma pilheria; todavia, se algum houvesse que não gostasse disso, bastava pedri ao outro que se abstivesse, e este incontinenti cessava. Mas era costume que a todos os que entravam na sala de convívio o mais velho dissesse, mostrando-lhe a porta: “Nenhuma palavra sairá por esta porta.”

8 – Respeito a mulher

 “Mas os que desejavam casar-se precisavam raptar aquelas que pretendiam como esposas, não moçoilas ainda não casadouras, mas mulheres vigorosas e já maduras para terem filhos; e quando havia uma raptada em tais condições vinha a intermediária do casamento e lhe raspava inteiramente os cabelos até o couro, depois a vestia com um traje de homem e do mesmo modo o calçado, e deitava-se sobre o colchão, inteiramente só e sem candeia. Feito isso, o recém-casado, não estando ébrio, nem mais delicadamente vestido como de costume, mas tendo jantado sóbriamente como de ordinário, voltava secretamente para a casa, onde desatava a cintura da esposa e, tomando-a nos braços, deitava-a numa cama e ali ficava durante algum tempo com ela; mais tarde, voltava muito docemente para o lugar onde se acostumara a dormir com os outros rapazes...”

9 – Confirmação do Papel da Mulher na Sociedade Espartana

"Também era permitido a um homem honesto amar a mulher de outro, por vê-la prudente, pudica e capaz de ter belos filhos, e pedir ao marido que o deixasse deitar-se com ela, para então semear, como em terra gorda e fértil, belas e boas crianças, que dessa forma vinham a ter comunicação de sangue e parentesco com gente de bem e honrada.”

10 – Sobre a Educação Espartana

"Pois logo que estes chegavam a idade de sete anos, ele os tomava e os distribuía por grupos, para serem educados juntos e se habituarem a brincar, aprender e estudar uns com os outros..."

11 – Carreira

"Quanto as letras aprendiam somente o necessário e, em suma, todo o aprendizado consistia em obedecer, suportar o trabalho e obter a vitória em combate. Por essa razão, à medida que avançavam em idade, aumentavam-lhes também os exercícios corporais; raspavam-lhes os cabelos, faziam-nos andar descalços e os constrangiam a brincar juntos a maior parte do tempo, inteiramente nus; depois, quando chegavam à idade de doze anos, não mais usavam saios daí por diante, pois todos os anos lhe davam somente uma túnica simples, o que era causa de andarem sempre sujos e ensebados, como aqueles que não se lavam nem se untam senão em certos dias do ano, quando os faziam gozar um pouco de doçura...”

13 – Iniciação Sexual

"Mais ou menos nessa idade (12 anos), seus amantes, que eram os rapazes mais galhardos e mais gentis, começavam a frequentá-los mais assiduamente, e também os velhos tinham as vistas semelhantemente voltadas para eles, aparecendo mais ordinariamente nos lugares onde faziam os exercícios e onde combatiam, e assistindo-os quando se divertiam em pilheriar um com os outros...”

14 –Corresponsabilidade Entre Parceiros

“Além disso, imputavam-se aos amantes a boa ou má opinião que se concebia dos meninos que haviam tomado para amar, de sorte que se diz que, tendo certa vez um menino, combatendo contra outro, deixando escapar da boca um grito que lhe revelou a coragem frouxa e falida, seu amante foi por isso condenado à multa pelos oficiais da cidade. Mas, conquanto o amor fosse coisa tão incorporada entre eles que até as mulheres honestas e virtuosas amavam as meninas, não havia contudo ciúmes, mas, ao contrário, era isso um começo ded mútua amizade entre os que amavam no mesmo lugar; e procuravam juntos, por todos os meios de que podiam dispor, fazer que o menino que amava em comum fosse o mais gentil e o melhor condicionado de todos os outros. Ensinavam os meninos a falar de sorte que sua linguagem tivesse malícia misturada de graça e prazer, e que em poucas palavras compreendesse muita substância."

15 – Modo de Falar

"Porque exatamente assim como a semente dos homens luxuriosos, que se misturam frequentemente e dissolutamente demais com as mulheres, não pode germinar nem frutificar, também a intemperança de falar demais torna a palavra vã, tola e vazia de sentido. Daí vem que as respostas Lacônicas eram tão agudas e tão sutis...Quanto a mim, sou da opinião que os Laconios, em sua maneira de falar, não usam de muita linguagem, mas tocam muito bem no ponto e se fazem entender muito pelos ouvintes.”
“...pode-se também fazer conjectura de sua maneira de falar pelas palavras jocosas que as vezes diziam brincando, porque estavam acostumados a jamais dizer nada no ar ou em vão, tendo sempre em cada palavra alguma inteligência secreta que a tornava merecedora de ser considerada de perto...”

16 – Bem Vestir Oportuno

"Mas, então, relaxavam um pouco os jovens a rígida austeridade e dureza de sua regra ordinária de viver, permitindo-lhes que enfeitassem os cabelos e embelezassem as armas e indumentos...não eram jamais tão cuidadosos em pentear e compor como quando estavam prestes a dar batalha; pois então os untavam (os cabelos) com óleos perfumados e os repartiam...”

17 – Compromisso Social

"Mas, para voltar aos Lacedemônios, sua disciplina e regra de viver durava ainda depois de haverem chegado a idade de homens, pois não havia ninguém a quem fosse tolerado nem permitido viver como entendesse, antes ficavam dentro da cidade nem mais nem menos do que dentro de um acampamento, onde cada qual sabe o que deve ter para viver e o que deve fazer para público...”

18 – Continuidade de Compromisso

“Quanto aos processos, pode-se bem imaginar que foram banidos de Lecedemonia com o dinheiro, mesmo porque não havia avareza, cobiça, pobreza, nem indigência, antes igualdade com abundância e grande comodidade de viver, por causa da sobriedade, sem nenhuma superfluidade...”

 “Em suma, nada deixou ocioso, pois entre todas as coisas que os homens não podem dispensar introduziu sempre algum aguilhão incitando os homens à virtude e fazendo-os odiar o vício; e encheu a cidade de belos e bons ensinamentos e exemplos, de forma que o homem assim educado, encontrando-os sempre diante dos olhos em qualquer parte onde se achasse, vinha por força moldar-se e formar no padrão de virtude”.


Liderança

“Houve, nessa modificação do estado promovida por Licurgo, muitas novidades, mais a primeira foi a instituição do Senado, o qual, misturando o poder dos reis e igualando a eles quanto à autoridade nas coisas de conseqüência, foi, como diz Platão, um contrapeso salutar no corpo unificado da coisa publica...”


Existe um idéia errônea ao julgar que a liderança se faz de forma centralizadora. O governo de Esparta tem seu caráter descentralizador, determinando representantes do povo escolhidos por aclamação popular entre os anciãos, homens que no decorrer da vida conheceram de perto, vivenciaram os problemas do povo.
Esparta foi por muitos anos citada como um governo exemplar, ideal, e a capacidade de governar de seus líderes também era algo notável. Desta vem a principal lição que é saber escolher bens seus governantes e ter, como líder, sempre os pés no chão e os olhos nas necessidades de seus liderados.
Creio que ao moderno espartano cabe aprender primeiramente em compartilhar suas conquistas, as escolhas devem ser feitas de forma a atender as necessidades de todos, não somente a vontade de um, porém, de todo o grupo.
Os líderes não devem agradar à minorias, mas serem vigilantes em fazer de sua liderança um benefício reconhecido pelos demais. Em cada escolha deve prevalecer sempre a democracia.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco


Generosidade

“A segunda novidade de Licurgo, e a de mais ousadia e mais difícil empresa, foi mandar de novo repartir as terras: pois, havendo no país de Lecedemônia grande dificuldade e desigualdade entre os habitantes, porque uns, e a maior parte, eram tão pobres que não tinham uma só polegada de terra, e outros, em bem pequeno número, tão opulentos que possuíam tudo, ele advertiu que, para expulsar da cidade e insolência, a inveja, a avareza, as delícias e, mais a riqueza e a pobreza, que são ainda maiores e mais antigas pestes das cidades...”


Como é possível desconsiderar a necessidade de um irmão? Saber compartilhar mostra a generosidade do espartano.
Quando se fala em generosidade não se trata apenas de ajuda financeira em momentos difíceis porém da ajuda necessária a ser dada a um irmão que necessite superar um problema.
Aquele que recebe tal generosidade tem a obrigação de honrar a ajuda de seus colegas esforçando-se a superar o problema ou a “má fase” e devolver, seja aos mesmos irmãos ou a outros a ajuda recebida. Dessa forma não haverá cobiça entre os irmãos, mas respeito e admiração a que cada um conquistou.
A idéia da divisão das terras entre os indivíduos em Esparta está muito associada a questão da liberdade. Em oposição a sociedade ateniense, os indivíduos em Esparta não corriam o risco de serem escravizados e terem suas famílias escravizadas por conta de pagamento de dívidas e a tomada de seus bens. Em Esparta cada cidadão tinha seu pedaço de terra que lhe permitia produzir bens suficientes para garantir o sustento de sua família, além disso, o sistema de refeições coletivas garantia que todo indivíduo recebesse de forma igual ao seu companheiro a parte daquilo que fora produzido no território. O indivíduo Espartano deveria ser generoso pois desenvolvia-se acostumado  a dividir tudo o que possuía.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco



Riqueza

 “depreciou toda espécie de moeda, de ouro e de prata, ordenando que se usasse somente moeda de ferro, da qual ainda uma grande pesada massa era de bem pouco preço, de tal maneira que, para se alojar dela o valor de cem escudos, seria preciso impedir todo um grande celeiro...”

Quando se da valor aos homens, estes não precisam ostentar riquezas. Não devemos mostrar status através de objetos ou coisas de valor e sim através da valorização e do reconhecimento das pessoas às coisas que temos em nós mesmo como indivíduos, seres humanos. De nada vale cobrir-se de ouro uma pessoa sem valor, isso não a tornará valorosa, porém um homem de valor, honesto, todos conhecem e respeitam. O quanto de dinheiro ou riquezas que um homem possui não deve servir de parâmetro para avaliar um indivíduo.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco


Consumismo e Protecionismo

“Depois disso, baniu também todos os misteres supérfluos e inúteis, e, ainda que por édito não os tivesse perseguido, teriam assim desaparecido todos, ou a maior parte, com o usa da moeda, quando não mais encontrassem quem ficassem com seus trabalhos, porque as moedas de ferro não tinham curso nas outras cidades da Grécia, antes zombavam dela por toda parte, e dessa forma não podiam os Lacedemônios comprar mercadorias estrangeiras...”


Refreamento do consumismo, colocando em primeiro plano a solução das reais necessidades. Protegeu também o produto nacional não permitindo o comércio de produtos estrangeiros, isso é, de outras nações fora de Esparta, inclusive os atenienses. Temos aqui dois problemas de nossa atualidade, primeiramente o consumismo desenfreado com a aquisição de coisas supérfluas, coisas as quais não temos necessidade e, frequentemente essas coisas supérfluas são objetos importados, produzidas de forma a agregar valor a matéria prima produzida nos países mais pobres.
Muitas vezes, em tempos de crise, vimos nossa indústria ser arruinada pela competição desleal de produtos estrangeiros além do “hábito burguês” arraigado em nossa sociedade de mentalidade “colonialista” que deprecia as coisas produzidas no país em pró do consumo as coisas vindas do estrangeiro. Um espartano deve ter orgulho de sua indústria, da força que gera emprego em seu país, preferir o nacional ao estrangeiro como forma de garantir o crescimento econômico de seu país e o emprego seu e de seus companheiros.
Além disso, a restrição a bens supérfluos redirecionou a valoração as coisas que realmente deveriam ter importância ao indivíduo como ferramentas e habilidades contribuintes a uma sociedade organizada e igualitária. O valor do espartano estava em sua terra e em sua maneira de viver.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco


Humildade,tolerância e bons hábitos alimentares

 "...ordenou que eles (os cidadãos de Lecedemônia, comessem juntos das mesmas viandas..., proibia de comerem a parte e em particular sobre ricas mesas e leitos suntuosos, abusando do labor dos excelentes operários e requintados cozinheiros, para engordarem em segredo e nas trevas, como se engordam os animais glutões: o que arruína e corrompe não somente as condições da alma, mas também as compleições do corpo...”


Todo irmão é digno de sentar a mesa de outro irmão e compartilhar com este seu convívio, desde que dentro das regras de respeito e de ética.
Quando instituiu as refeições compartilhadas em locais públicos, Licurgo pretendia criar a prática do convívio de todas as camadas sociais, impondo aos mais nobres o contato com o menos nobres, tornando todos acessíveis uns aos outros.
Queria também controlar os hábitos alimentares garantindo uma alimentação adequada ao “cidadão guerreiro” e de forma igual para que ninguém padecesse da fome nem se empanturrasse a ponto de ter sua saúde e forma física comprometida e menos apta a guerra.
Conta a história que Licurgo, em uma revolta popular por essa decisão, foi perseguido e teve seu olho ferido; somente mais tarde os espartano reconheceram o valor dessa ordem.
Todos os homens assim eram incentivados a produzir, pois, se não o fizessem estaria comendo as custas de seu irmão, e se muitos não produzissem todos seriam prejudicados pois cairia a quantidade de comida a se servir, já que o pouco seria dividido com muitos. Mais uma vez, observamos o esforço dos legisladores espartanos em criar uma consciência coletiva ao indivíduo. Isso permitia também que o Estado espartano também fizesse reservas de alimentos para tempos difíceis ou manter seu modo de vida enquanto em guerra.
Ao espartano não era permitido alimentar-se em sua casa, a não ser em raras ocasiões como ao chegar muito tarde em casa após uma caçada.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco


Aprendizado

“As próprias crianças iam a esses convívios, nem mais nem menos do que a escolas de honra e temperança, onde ouviam boas e graves palestras referentes ao governo da coisa publica, por mestres que não eram mercenários”


O dever de aprender fazia parte de todo o decorrer da vida do espartano. Os mais novos deviam respeitar os mais velhos e aprender com eles. Os mais velhos deveriam cuidar dos mais novos como se esses fossem seus filhos e, independente dos laços de sangue, deveriam ensinar e cuidar deles como sua responsabilidade.
Em uma visão onde todas as crianças e jovens eram bem da sociedade, as crianças, apesar dos duros treinos do agogê, eram cuidadas para que se desenvolvessem e tornassem guerreiros. Nessa educação havia a conscientização de sua importância dentro da engrenagem social, aprendendo a discernir o que era bom e ruim para o coletivo. Estimulava-se o senso crítico e a avaliação das ações das pessoas e ao jovem era solicitada a opinião. A falta de interesse nas questões públicas era compreendida com uma falha na formação do jovem espartano.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Respeito

“Pois é uma qualidade entre os Lecedemônios, tolerar com paciência uma pilheria; todavia, se algum houvesse que não gostasse disso, bastava pedir ao outro que se abstivesse, e este incontinenti cessava. Mas era costume que a todos os que entravam na sala de convívio o mais velho dissesse, mostrando-lhe a porta: “Nenhuma palavra sairá por esta porta.”

Existem pessoas que não sabem a hora de parar uma brincadeira, passando do limite e desrespeitando seu irmão. Entre irmãos espartanos deve haver sempre o respeito preservando os limites da amizade e sempre respeitando o amor próprio e os sentimentos dos outros.
Caso algo não nos agrade, devemos logo falar, resolver as coisas com o diálogo e de forma franca para que não haja ressentimento no futuro. Quem falhou deve ter a humildade de reconhecer seu erro e não o repetir com o companheiro, a quem se foi falho a humildade de aceitar um pedido de perdão.
Muitas vezes, temos entre nós indivíduos que fazem do escarno uma arma ridicularizando e atacando com palavras os pontos fracos dos outros indivíduos, fazendo uso de palavras ofencivas, duplo sentido para fazer dos outros palhaço para o divertimento dos demais. Em uma irmandade a qual se busca valorizar a virtude, esse tipo de atitude não deve ser tolerada.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Respeito à mulher

“Mas os que desejavam casar-se precisavam raptar aquelas que pretendiam como esposas, não moçoilas ainda não casadouras, mas mulheres vigorosas e já maduras para terem filhos; e quando havia uma raptada em tais condições vinha a intermediária do casamento e lhe raspava inteiramente os cabelos até o couro, depois a vestia com um traje de homem e do mesmo modo o calçado, e deitava-se sobre o colchão, inteiramente só e sem candeia. Feito isso, o recém-casado, não estando ébrio, nem mais delicadamente vestido como de costume, mas tendo jantado sóbriamente como de ordinário, voltava secretamente para a casa, onde desatava a cintura da esposa e, tomando-a nos braços, deitava-a numa cama e ali ficava durante algum tempo com ela; mais tarde, voltava muito docemente para o lugar onde se acostumara a dormir com os outros rapazes...”

Entendo essa passagem em dois aspectos importantes. Primeiramente a confirmação da atração sexual dos espartanos por pessoas do mesmo sexo de forma a impor como ritual a “masculinização” de uma mulher para manter relações sexuais com um guerreiro. Além disso, mesmo unindo-se a uma mulher, algo necessário a produção de “novos guerreiros para o estado” o espartano não passava a noite com sua companheira e sim com seus companheiros em abrigos coletivos.
Outro aspecto é o respeito as mulheres. Apesar do caráter dessas relações, o homem tinha o dever de ser gentil, carregando a companheira a um leito confortável e mantendo com ela relações sem estar embriagado.
Muitas vezes ouvimos no meio gay referencias debochadas sobre as mulheres, referindo-se a elas de forma desrespeitosa ou pejorativa, porém não devemos esquecer de reconhecer a importância da mulher na sociedade e na constituição da família a qual todos nós pertencemos independente de as termos ou não como objeto de desejo sexual, devemos respeitar a todos independente do sexo. Só é digno de respeito quem sabe respeitar!

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Confirmação do Papel da Mulher na Sociedade Espartana

"Também era permitido a um homem honesto amar a mulher de outro, por vê-la prudente, pudica e capaz de ter belos filhos, e pedir ao marido que o deixasse deitar-se com ela, para então semear, como em terra gorda e fértil, belas e boas crianças, que dessa forma vinham a ter comunicação de sangue e parentesco com gente de bem e honrada.”


Aqui se reafirma o caráter “reprodutivo” da figura feminina em Esparta, contudo elas eram respeitadas e vistas de forma muito próxima aos homens. A elas era impostas semelhantes treinamentos e privações aos quais se submetiam os homens. As mulheres espartanas orgulhavam-se de seus homens e os homens orgulhavam-se de suas mulheres por elas serem tão parecidas com eles, fortes!

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco


Sobre a Educação

"Pois logo que estes chegavam a idade de sete anos, ele os tomava e os distribuía por grupos, para serem educados juntos e se habituarem a brincar, aprender e estudar uns com os outros..."

A educação dos espartanos era responsabilidade do Estado. Um filho não pertencia aos pais e sim ao Estado e este tomava conta do jovem a partir deste completar 7 anos de idade.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Carreira

"Quanto as letras aprendiam somente o necessário e, em suma, todo o aprendizado consistia em obedecer, suportar o trabalho e obter a vitória em combate. Por essa razão, à medida que avançavam em idade, aumentavam-lhes também os exercícios corporais; raspavam-lhes os cabelos, faziam-nos andar descalços e os constrangiam a brincar juntos a maior parte do tempo, inteiramente nus; depois, quando chegavam à idade de doze anos, não mais usavam saios daí por diante, pois todos os anos lhe davam somente uma túnica simples, o que era causa de andarem sempre sujos e ensebados, como aqueles que não se lavam nem se untam senão em certos dias do ano, quando os faziam gozar um pouco de doçura...”


Apesar de mostrar pouco valor a educação teórica, mostra aqui o extremo racionalismo dos espartanos em relação ao preparo do indivíduo a carreira. A um militar naqueles tempos mais valia tinha seu vigor físico e habilidade em armas que desenvolver habilidades literárias. Vale lembrar que Pitágoras era espartano...
Outro aspecto importante a ser notado é que havia um esforço muito grande em incentivar os jovens a socialização pois possuíam o conhecimento que a ação de guerrear demandava um perfeito entrosamento da equipe e não apenas da ação individual, era necessário aprender a trabalhar em equipe.
Até mesmo a troca de roupa era restringida como algo desnecessário, não por falta de higiene mas como uma forma de submeter os indivíduos a uma situação real de guerra onde é necessário tirar o máximo de cada recurso oferecido, sem desperdício a o indivíduo, sem chances de escolha, é obrigado a suportar as adversidades.
Existia uma intensa racionalização na aquisição do conhecimento, orientando os jovens a serem os melhores e a ocuparem suas mentes com conhecimentos que pudessem aplicar em seu futuro. Como em outras coisas, até mesmo talvez num visão errada, o espartano opunha-se ao sistema educacional ateniense ou praticado em outras partes da Grécia pois acharam que este era responsável pela decadência das habilidades do homem em guerrear e defender sua nação. O culto as coisas supérfluas gerava a indolênia e levava o indivíduo a ocupar-se de coisas que não contribuiriam de forma positiva a sociedade.
Hoje, lugar comum é encontrar jovens indivíduos, homossexuais ou não que, movidos por vaidades ou até mesmo motivados pela crescente oferta de oportunidades vêem no trabalho apenas um “passa tempo”, não sendo capazes de suportar as fazes criticas da realização de uma empreitada nem tarefas que ao seu julgamento sejam “menos dignas”. Nas mesma forma de pensar, há aqueles que acham que é o dever da sociedade e dos setores de trabalho a adaptação completa do sistema para satisfazer suas necessidades ou anseios; julgam que os colegas devem adaptar-se ao seu jeito e não ele adaptar-se a agir de forma coordenada com o grupo. Uma visão completamente equivocada do indivíduo a sociedade em que vive e a qual é sua obrigação é, também, adaptar-se e contribuir da melhor maneira.
O despreparo do jovem em relação a prepara-lo a um futuro de trabalho, a falha no sistema organizacional onde o jovem deixa de compreender o valor do conhecimento, são fatores que nos fazem refletir se talvez os espartanos não estivessem com a razão em seu “racionalismo educacional”.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco


Iniciação Sexual

"Mais ou menos nessa idade (12 anos), seus amantes, que eram os rapazes mais galhardos e mais gentis, começavam a frequentá-los mais assiduamente, e também os velhos tinham as vistas semelhantemente voltadas para eles, aparecendo mais ordinariamente nos lugares onde faziam os exercícios e onde combatiam, e assistindo-os quando se divertiam em pilheriar um com os outros...”

Um trecho de difícil interpretação aos modernos espartanos, porém nos dá claro a entender que a iniciação sexual dos garotos em Esparta era feito por outros garotos e que os homens idosos apreciavam, porém de forma contida, os jovens. Porém, apesar de confirmar as relações homossexuais na formação do guerreiro espartano, a pratica de sexo com menores de idade é totalmente proibida e não tolerada, de forma igual a sociedade em geral o espartano deve estar consciente que pedofilia é crime!

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Corresponsabilidade Entre Parceiros

 “Além disso, imputavam-se aos amantes a boa ou má opinião que se concebia dos meninos que haviam tomado para amar, de sorte que se diz que, tendo certa vez um menino, combatendo contra outro, deixando escapar da boca um grito que lhe revelou a coragem frouxa e falida, seu amante foi por isso condenado à multa pelos oficiais da cidade. Mas, conquanto o amor fosse coisa tão incorporada entre eles que até as mulheres honestas e virtuosas amavam as meninas, não havia, contudo ciúmes, mas, ao contrário, era isso um começo de mútua amizade entre os que amavam no mesmo lugar; e procuravam juntos, por todos os meios de que podiam dispor, fazer que o menino que amava em comum fosse o mais gentil e o melhor condicionado de todos os outros. Ensinavam os meninos a falar de sorte que sua linguagem tivesse malícia misturada de graça e prazer, e que em poucas palavras compreendesse muita substância."

Novamente temos uma confirmação do caráter liberal em relação a homossexualidade do povo Espartano. Fica nesse parágrafo claro que os relacionamentos homossexuais eram comuns entre homens e também mulheres.
Um fato a se notar é a responsabilidade compartilhada dos atos praticados por parceiros. A falha de um pode acarretar uma punição ao outro, desta forma, entre amantes há sempre o encorajamento da virtude entre os parceiros. Outro ponto interessante é notar-se que havia um emprenho maior em preparar o jovem guerreiro que “amasse em conum”, isto pode ser interpretado como o parceiro que compartilhava seu amor com mais de um indivíduo.
Passível de diversar interpretações e analisando os moldes das relações heterossexuais espartanas, não havia as relações de ciúmes nem entre homens e mulheres nem entre homens e homens. Não se entrava em contenta por conta de ciúmes ou pluralidade nos relacionamentos.
Hoje, no entanto, a sociedade e o risco em se ter uma vida de pluralidade de parceiros, impões que se evite ao máximo relacionamentos “abertos”. O espartano deve buscar nas decisões afetivas sempre estar de acordo com o parceiro, decisões conjuntas, o respeito e a preservação da intimidade como bem do casal. Sem deixar de seguir a tradição espartana em buscar fazer do parceiro um indivíduo melhor, incentivando-o sempre a progredir e ajudando ao que tiver ao alcance.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco


Modo de Falar

"Porque exatamente assim como a semente dos homens luxuriosos, que se misturam frequentemente e dissolutamente demais com as mulheres, não pode germinar nem frutificar, também a intemperança de falar demais torna a palavra vã, tola e vazia de sentido. Daí vem que as respostas Lacônicas eram tão agudas e tão sutis...Quanto a mim, sou da opinião que os Laconios, em sua maneira de falar, não usam de muita linguagem, mas tocam muito bem no ponto e se fazem entender muito pelos ouvintes.”
“...pode-se também fazer conjectura de sua maneira de falar pelas palavras jocosas que as vezes diziam brincando, porque estavam acostumados a jamais dizer nada no ar ou em vão, tendo sempre em cada palavra alguma inteligência secreta que a tornava merecedora de ser considerada de perto...”

A economia de falar e o modo pensado de se expressar do espartano, fazia de suas palavras algo precioso.
Respostas sucintas são demonstração de inteligência.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Bem Vestir Oportuno

"Mas, então, relaxavam um pouco os jovens a rígida austeridade e dureza de sua regra ordinária de viver, permitindo-lhes que enfeitassem os cabelos e embelezassem as armas e indumentos...não eram jamais tão cuidadosos em pentear e compor como quando estavam prestes a dar batalha; pois então os untavam (os cabelos) com óleos perfumados e os repartiam...”
Temos aqui antes a idéia de vaidade entre os espartanos. Lembremos que somente aos guerreiros já adultos era permitido deixar os cabelos crescerem, desde jovem eles os mantinham raspados e somente quando adultos e prontos para a guerra é que os tinham longos, dessa forma, o cabelos representava também parte de sua virtude de guerreiro, um sinal de sua posição social. Por essa valorização empregavam-se óleos perfumados e flores, artigos usado em sacrifício aos deuses e em ocasiões muito especiais, entre elas as festas de Hyacintia, amante do deus Apolo. Em analogia podemos comparar os penteados dos espartanos aos penteados utilizados pelos samurais ou tribos guerreiras das Américas.
Apesar de relatos indicaram que durante a maior parte da vida os indivíduos submetidos ao agogê eram deixados em termos de vestimentas de forma precária e até lhes faltasse asseio, esse parágrafo, no entanto indica a permanência da vaidade em ocasiões especiais, como um elemento de reconhecimento e respeito do indivíduo as solenidades e a sociedade.
Hoje vemos na sociedade homossexual, no entanto, uma supervalorização da aparência, a vaidade extrapola limites e cria indivíduos com características andróginas pelo uso de elementos femininos em seus costumes. A boa aparência é antes um jogo em que o indivíduo tenta mascarar muitas vezes a decadência física sob roupas chamativas, brilho ou que demonstre poder econômico.
A vaidade espartana estava no cuidado com o corpo como uma demonstração a sociedade do seu prepara como elemento útil a sociedade (defesa do território) e o uso de adornos se fazia presente em ocasiões realmente importantes como em festas ou funerais. O uso de flores nos cabelos, citados em alguns textos, se explicam pelo fato de que entre os espartanos não havia a aquisição de bens supérfluos, não havia o costume de uso nem produção de jóias e as vestimentas eram poucas a cada indivíduo, dessa forma, como hoje fazem os índios, os guerreiros espartanos faziam uso de elementos encontrados na natureza, fazendo o uso coroas de flores, presas de caça e peles de animais.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Compromisso Social

"Mas, para voltar aos Lacedemônios, sua disciplina e regra de viver durava ainda depois de haverem chegado a idade de homens, pois não havia ninguém a quem fosse tolerado nem permitido viver como entendesse, antes ficavam dentro da cidade nem mais nem menos do que dentro de um acampamento, onde cada qual sabe o que deve ter para viver e o que deve fazer para público...”


O paralelo entre vida publica e vida privada. Cada um tem suas obrigações para com sua família, mas também para com a comunidade.
Muitas vezes, vemos entre homossexuais, um desligamento das relações familiares e uma desobrigação com a sociedade pois não vê obrigação em manter algo para as futuras gerações, já que não tem expectativas de ter filhos, não tem obrigação de construir um futuro melhor. Em contrapartida esses indivíduos desfrutam da herança que a sociedade lhe deixou através da luta de outros indivíduos anteriores a ele. Uma espécie de roubo onde se faz uso de algo sem “pagar” o justo valor.
Outra questão é que a idéia de “vitimização”, defendida entre os gays lhe dá de certa forma uma “carta branca” a agirem como quiserem sendo que a sociedade deverá tolerar toda espécie de excentricidade por conta do sofrimento que esta impõe aqueles indivíduos até que estes comecem a exigir “reparação”. Não devemos nós vivermos como parasitas sociais, sem darmos a sociedade nossa contribuição. Cada um de nós deve fazer o melhor para termos um sociedade mais justa, mesmo que não a desfrutemos em nosso presente, mas para os que após nós virão, afinal de contas somos devedores de nossos antepassados, homossexuais ou não.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

Continuidade de Compromisso

“Em suma, nada deixou ocioso, pois entre todas as coisas que os homens não podem dispensar introduziu sempre algum aguilhão incitando os homens à virtude e fazendo-os odiar o vício; e encheu a cidade de belos e bons ensinamentos e exemplos, de forma que o homem assim educado, encontrando-os sempre diante dos olhos em qualquer parte onde se achasse, vinha por força moldar-se e formar no padrão de virtude”.

“Em suma, nada deixou ocioso, pois entre todas as coisas que os homens não podem dispensar introduziu sempre algum aguilhão incitando os homens à virtude e fazendo-os odiar o vício; e encheu a cidade de belos e bons ensinamentos e exemplos, de forma que o homem assim educado, encontrando-os sempre diante dos olhos em qualquer parte onde se achasse, vinha por força moldar-se e formar no padrão de virtude”.

Aqui fica a confirmação de que a sociedade espartana vivia em constante compromisso com a melhoria do homem em sociedade. Eram vigilantes em combatar a ociosidade e o vício, incentivando o homem a ser sempre melhor.

De: “A Vida dos Homens Ilustres” – Licurgo – Autor: Plutarco

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Casca do Limão

O ser humano é algo engraçado, comporta-se na vida como um passageiro em um trem ou um ônibus para um destino desconhecido. Muitas vezes desconfortável, se ajeita e se acomoda partindo então, daí a frente apenas observar pela janela. Lá de vez em quando acena da janela para algum desconhecido...sei lá, talvez pelo tédio!
Uma vez um amigo, dono de uma livraria, me contou ter aconselhado um desses meninos nerds, leitor inveterado a deixar de viver a vida dos outros, pelos livros, e viver a própria vida. Terminava sempre a historia afirmando: “perdi um bom cliente mas, talvez o futuro ganhe um bom escritor...” É preciso viver a vida, aprender com as próprias experiências..
Mas o que é viver a vida? Entendo que viver a vida é tirar dele o melhor proveito, fazer valer cada dia, caminhar em direção a algo melhor, transpor barreiras, superar-se..., a vida precisa de ação, não como nos filmes de mocinho e bandido, mas a ação prática dos trabalhadores braçais que muitas vezes se esquecem que não são máquinas e amontoam, arrastam, empilham, constroem, matéria sobre matéria a vida cotidiana muitas vezes pensada por outros, dos trabalhadores intelectuais que se esquecem que não são apenas almas e não alimentam o corpo, não cuidam de sí. O homem precisa pensar, mas o pensamento é morto pela inação.
Grave é a inação em relação a vida. Vejo, assim como outros, muito homossexual simplesmente olhando a vida pela janela, com medo, por acharem-se muitas vezes menos capazes do que os “homens” lá de fora. Alguns refugiam-se num “País de Maravilhas” como o de Alice, no qual, como transpostos do espelho, as coisas funcionam ao contrário, o que era para ser errado passa a ser certo e o que era para ser repudiado passa a ser modelo.
Se o homossexual é um homem que gosta de outros homens e se aquele que irá gostar dele tem o mesmo sentimento, este indivíduo não deveria buscar ser mais masculino para conquistar o seu par? Raciocino lógico, porém, neste mundo de relatividade a coisa não funciona bem assim.
Enfim, como em todo mundo de “Maravilhas”, onde a frivolidade tem o é vista como um valor, a beleza, que também é frívola, passa a ser moeda de troca; após a beleza a influência e o dinheiro e quando nada mais resta, joga-se fora como a casca de um limão do qual todo sumo foi arrancado. O azedume é tolerado quando adoçado, mas o amargor e a acidez é algo que não se aprecia. E a casca do limão amarga a água mais pura se ali permanecer!
Enfim, voltando à vida... ela deve ser vivida, mas também deve ser respeitada, ter seus limites, ter seu equilíbrio. O homem deve criar para si um alicerce firme, criar laços de amizade e afetivos, cuidar de si, buscar garantir-se para os anos onde lhe restem menos vitalidade.O homem não deve ser como a casca de um limão que, sem conteúdo, joga-se fora e se despreza pelo amargor. O amargor do homem se dá pela frustração, pela constatação de uma vida desperdiçada, por ter queimado toda sua energia em coisas que não lhe garantem o bem estar ao longo da vida, por não pertencer a nada. É preciso mudar, abrir os olhos. Sempre é tempo de mudar.


Meio Estranho

Diversas vezes observei espantado o quão despreocupado alguns homosexuais são com a própria vida. Quando falo vida, tento englobar nessa idéia algo mais abrangente do que simplesmente “respirar e ter pulsação”; minha idéia de vida está inserida na idéia do bem viver, ter paz, ter liberdade, ser respeitado...
Apesar da aparente “liberalidade” do povo brasileiro em relação a sensualidade e outras questões relacionadas ao sexo, a sexualidade homossexual, seja masculina ou feminina, ainda incomoda bastante e desperta reações nem sempre “irrelevantes”. Mesmo desenvolvendo uma “provável” resistência as ofensas, a falta de discrição em relação a sexualidade homossexual, em locais onde essa sexualidade não é bem compreendida ou mesmo aceita, pode trazer a este indivíduo problemas que refletem e todos os campos de sua vida. Tornar-se resistente a um problema não o torna inexistente!
O princípio de classificação depreciativa da sociedade ao indivíduo homossexual está em seu afeminamento, a sociedade considera contraditória a idéia de que um homem sinta-se e se comporte como uma mulher, muitas vezes classificando isso como falta de caráter ou “sem vergonhice”, isto está de tão forma enraizado na consciência popular que ainda levará muitos anos para ser revertido. O cerne da questão é que um indivíduo, em um ambiente não tolerante, uma vez classificado como homossexual automaticamente é também classificado como alguém inapto a exercer as funções entendidas como próprias de um homem, entre elas a liderança. Uma mulher forte é “respeitada como um homem” mas um homossexual forte é um conceito paradoxal.
É realmente necessário desassociar as próximas gerações a idéia de que todo homossexual é “gay” (alegre, colorido, afeminado). Reforçar o princípio de que um homem pode ter outro homem como foco de sua atração sexual sem ter com isso a perda de sua masculinidade e essa mesma sexualidade não é algo a ser exposto de forma anormal tornando-se alvo de observações externas. A intimidade, como o próprio termo sugere é algo “interno, guardado” interessando somente ao próprio indivíduo a aqueles que demonstrem a confiabilidade para dela compartilhar.
Espero que no futuro não seja mais necessário que os homossexuais tenham que defender seus direitos de igualdade em oportunidades aos heterossexuais. Espero não ter noticias de colegas de trabalho serem dispensados por mostrarem-se “afeminadinhos”, ou “meio suspeitos (...de serem gays...)”. Ou deixarem de serem colocados como líderes pelo fato de “ninguém respeitar alguém “meio delicado”, mesmo sendo muito mais competentes.

corpore sano, mens addicti

Já dizia o poeta romano Juvenal Mens sana in corpore sano ("uma mente sã num corpo são"). A cultura gay no entanto prova a cada dia que, cada conceito entendido como verdade pode ter o seu paradoxo.
O paradoxo do maio gay é que existe uma tendência em reverter as mens sanas em mens addicti por conta do corpore sano, isto é, mentes “viciadas” em sexo ocasional.
Possuidores de belos corpos estão muito mais propensos a tornarem-se literalmente viciados em sexo ocasional por conta do assédio e da abundante oferta dento dos círculos homossexuais.
Seria chover no molhado falar mais uma vez da cultura de “aparências”, mesmo porque não é distorção de valores unicamente aplicável a sociedade homossexual masculina. O que ocorre, no entanto, entre homossexuais é uma supervalorização da forma física em contrapartida e um desprezo aos valores realmente importantes como a masculinidade e a honestidade. Em paralelo a isso também existe um apelo muito grande em algo que podemos chamar de “coisificação do ser humano”, uma visão do outro como “coisa” a ser consumida e descartada quando não mais tiver utilidade, algo comum no “mercado de carne da prostituição” e em relações onde o ser humano tem seu valor diminuído.
Moralismos a parte, é degradante ver o baixo valor que certos indivíduos tratam os próprios corpos, ofertando com eles como se oferta uma fruta madura. Entre os homossexuais ativos principalmente, existe uma noção de serem os consumidores, quando na verdade, muitas vezes, simplesmente emprestam seus corpos desleixadamente para que o outro tenha prazer. Fato é que o mercado da prostituição masculina é prevalentemente ativo..., os ativos estão mais susceptíveis a se tornarem “produtos”, são vistos muitas vezes pelos passivos apenas como um objeto para satisfazer uma necessidade momentânea, quem tem dinheiro paga e ajudo com que o outro se afunde cada vez mais na própria decadência. Não é possível levar a sério um homem que faz de sí algo tão barato ou gratuito. Irônico que se invista tanto em cuidados com a própria forma física, seu corpo, para coloca-lo em risco em encontros anônimos e alguns minutos de prazer.   
Aliado a isso também está à compulsão no sexo casual, o vício em compensar certos problemas fazendo sexo sem nem mesmo sentir realmente prazer, simplesmente criando na mente a idéia de “extrema virilidade” por não deixar passar “rabo sem comer”. Sexo é bom, mas não deve ser usado com fuga a frustrações. Vale lembrar que o velho conceito de que “viado é aquele que dá, não o que come” já está ultrapassado e não faz do ativo algo diferente do passivo; ambos são homossexuais e devem tratar seu corpo com respeito, ambos obtém no corpo do outro o seu prazer, ambos estão susceptíveis a serem usados e descartados, literalmente “consumidos”.
Vale lembrar a constatação de mercado: “o que é muito barato, ao alcance de qualquer um tem geralmente pouca qualidade ou é depreciado” Embalagem bonita em produto estragado.


domingo, 6 de janeiro de 2013

Alternativa à Drag Music !

Alguém me perguntou que tipo de som eu ouço de verdade. Ouço quase tudo! So não tenho tolerancia pela chamada "Drag Music". Não é nem por preconceito, é por falta de compatibilidade auditiva!
Ultimamente tenho ouvido bastante a linha do Rockabilly, acho bem agradável a quem não tem mais seus 20 aninhos! É o som mais audível aos "não acostumadoa" ao som dos bares de rock ou undergrounds.
Achei três boas seleções do Rockabilly e Psychobilly no you tube, espero que vocês gostem!





terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Toward a Masculine Ideal / A Caminho de Um Ideal Masculino

Extrato da parte da obra: ANDROPHILIA - Jack Donovan - http://recrutaespartano.blogspot.com.br/2012/12/sobre-androphilia-jack-donovam.html

De forma universal e evidente é a perda do referencial masculino pela maior parte dos homossexuais. É necessário retomar a consciência de que o homem homossexual continua sendo um homem e pode ser visto de forma positiva pela sociedade.

“Homossexual males are males who have been robbed of a masculine ideal. Most are lost boys without a sense of what it means to be men – Peter Pans who never become men and leave the never-neverland of The Gay Party life.”

“Homens homossexuais são homens de quem foram roubados o ideal masculino. A maioria são meninos perdidos, sem uma noção do que significa ser homem - Peter Pans que nunca se tornam homens e vivem a Terra do Nunca do “Meio Gay”.”

“Because homosexual men have tradicionally been beyond the pale of convencional morality, there are no codes of morality that goven them as a group. There´s no ideal or model to guide their behavior. Productive male role models are virtually nonexistent. Gay icons are virtually all tortured, self-destructive artists, and most are female.”

“Porque os homens homossexuais têm estado tradicionalmente além dos limites da moralidade convencional, não há códigos de moralidade que os governe como um grupo. Não há ideal ou modelo para orientar o seu comportamento. Produtivos modelos masculinos são praticamente inexistentes. Ícones gays são praticamente sempre torturados, artistas auto-destrutivos, e a maioria são do sexo feminino.”

“The purpose here is to reclaim masculinity for androphiles, to reclaim manhood – this religion of man – and adapt it to their condition.”

“O objetivo é recuperar a masculinidade para os androphilos, para reclamar de volta sua masculinidade - a religião do homem - e adaptá-lo à sua condição.”

“And so have many other man that prefer men, who refuse to be defined by their sexuality alone. I´ve met and spoken with plenty of homos over the years who do consider themselves men first, who ejoy the company of men and relate to them as masculine peers, who enjoy male culture, conduct themselves in a manly way and find role models in great men. These androphiles are out there, living their lives independently, not really  asking for much of anything from anyone. But because they are on the fringe they are still, to great extent, men without a code. Many have their own personal codes, adapted from codes of masculinity learned from fathers and brothers and role models and applied to their own lives. That´s basically what be helpful to set some basic expectations  - to establish some sense of shared values among these men. Not so that they can be better accepted by mainstream society, but to guide them – to help them be better men, for their own personal benefit.”

“E assim temos muitos outros homem que preferem homens  e que se recusam a ser definidos por sua sexualidade apenas. Eu conheci e conversei com muitos homos ao longo dos anos que se consideram em primeiro lugar homens, que aproveitam a companhia dos homens e se relacionam com eles como colegas masculinos, que gostam de cultura masculina, comportar-se de forma viril e encontram modelos em grandes homens. Estes androphilos estão lá fora, vivendo suas vidas de forma independente, não pedem realmente nada a ninguém. Porém, por estarem eles as margens, eles ainda são em grande parte, homens sem um código. Muitos têm seus próprios códigos pessoais, adaptados a partir de códigos de masculinidade aprendidos com os pais e irmãos e modelos constumazes aplicados às suas próprias vidas. Isso é basicamente o que será útil para definir algumas expectativas básicas - para estabelecer um sentido de valores compartilhados entre esses homens. Não para que possam ser mais bem aceitos pela sociedade em geral, mas para guiá-los - para ajudá-los a serem homens melhores, para seu próprio benefício pessoal ".