segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Casca do Limão

O ser humano é algo engraçado, comporta-se na vida como um passageiro em um trem ou um ônibus para um destino desconhecido. Muitas vezes desconfortável, se ajeita e se acomoda partindo então, daí a frente apenas observar pela janela. Lá de vez em quando acena da janela para algum desconhecido...sei lá, talvez pelo tédio!
Uma vez um amigo, dono de uma livraria, me contou ter aconselhado um desses meninos nerds, leitor inveterado a deixar de viver a vida dos outros, pelos livros, e viver a própria vida. Terminava sempre a historia afirmando: “perdi um bom cliente mas, talvez o futuro ganhe um bom escritor...” É preciso viver a vida, aprender com as próprias experiências..
Mas o que é viver a vida? Entendo que viver a vida é tirar dele o melhor proveito, fazer valer cada dia, caminhar em direção a algo melhor, transpor barreiras, superar-se..., a vida precisa de ação, não como nos filmes de mocinho e bandido, mas a ação prática dos trabalhadores braçais que muitas vezes se esquecem que não são máquinas e amontoam, arrastam, empilham, constroem, matéria sobre matéria a vida cotidiana muitas vezes pensada por outros, dos trabalhadores intelectuais que se esquecem que não são apenas almas e não alimentam o corpo, não cuidam de sí. O homem precisa pensar, mas o pensamento é morto pela inação.
Grave é a inação em relação a vida. Vejo, assim como outros, muito homossexual simplesmente olhando a vida pela janela, com medo, por acharem-se muitas vezes menos capazes do que os “homens” lá de fora. Alguns refugiam-se num “País de Maravilhas” como o de Alice, no qual, como transpostos do espelho, as coisas funcionam ao contrário, o que era para ser errado passa a ser certo e o que era para ser repudiado passa a ser modelo.
Se o homossexual é um homem que gosta de outros homens e se aquele que irá gostar dele tem o mesmo sentimento, este indivíduo não deveria buscar ser mais masculino para conquistar o seu par? Raciocino lógico, porém, neste mundo de relatividade a coisa não funciona bem assim.
Enfim, como em todo mundo de “Maravilhas”, onde a frivolidade tem o é vista como um valor, a beleza, que também é frívola, passa a ser moeda de troca; após a beleza a influência e o dinheiro e quando nada mais resta, joga-se fora como a casca de um limão do qual todo sumo foi arrancado. O azedume é tolerado quando adoçado, mas o amargor e a acidez é algo que não se aprecia. E a casca do limão amarga a água mais pura se ali permanecer!
Enfim, voltando à vida... ela deve ser vivida, mas também deve ser respeitada, ter seus limites, ter seu equilíbrio. O homem deve criar para si um alicerce firme, criar laços de amizade e afetivos, cuidar de si, buscar garantir-se para os anos onde lhe restem menos vitalidade.O homem não deve ser como a casca de um limão que, sem conteúdo, joga-se fora e se despreza pelo amargor. O amargor do homem se dá pela frustração, pela constatação de uma vida desperdiçada, por ter queimado toda sua energia em coisas que não lhe garantem o bem estar ao longo da vida, por não pertencer a nada. É preciso mudar, abrir os olhos. Sempre é tempo de mudar.


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