sábado, 11 de março de 2017


Jogando e Sabendo Perder

Desde que criei esse blog, tenho tentado escrever sobre coisas pertinentes ao dia-a-dia dos espartanos. Em alguns momentos, no entanto, nos damos conta da complexidade desse jogo de equilíbrio onde se tenta manter de um lado sua vida sentimental x sua vida pública.
Sempre tive alguns problemas com a curiosidade feminina. Evidentemente que desperta mesmo muita curiosidade o fato de um homem, normal aparentemente, permanecer sozinho por tanto tempo. Além disso, para muitos, tanto homens ou mulheres, estando sozinhos é sinônimo de procura, as pessoas realmente se incomodam muito com os solteiros, com aqueles que se mostram muito bem sem um par; nesse ponto há sempre o assédio.
Incontáveis foram as vezes que, ou em locais de trabalho ou círculos de amigos, tentaram me arranjar parceiras – mulheres solteiras, amigas e disponíveis a encontrar o amor – enfim, nunca ninguém me perguntou se eu estava disposto a me sujeitar as propostas dos cupidos de plantão, e que classe desagradável eles são! Analisa-se, e conclui-se que, ora...que porra é essa?
Porém um dia desses me peguei em um pensamento perturbador. Vendo uma foto de uma ex-candidata, nem tanto atraente, e sem a mínima possibilidade de sucesso – já que o objeto de minha atração não é o sexo feminino – fiquei com o gosto desagradável do “e se” como se de um momento para outro eu me sentisse um anormal. E se eu fosse hétero e não homossexual, e se eu tentasse viver com uma garota, e se...
O jogo então é bem simples e já foi jogado diversas vezes, e se você manter essa conjecturação vai logo perceber a impossibilidade de se manter da vida uma mentira. O jogo da resistência a própria natureza é um jogo que está perdido a muito tempo e mesmo que se queira tentar enquadrar-se no “padrão”, isso levará certamente a um final desastroso onde mais de uma pessoa pode se machucar.
Entendo para mim mesmo que o importante é achar meios de encontrar a autossatisfação em seu próprio estilo de vida, criar alternativas para reconciliar as cobranças do mundo ao redor com aquilo que podemos fazer sem nos ferir, compreender o que somos antes de tentar atravessar o espelho para um mundo invertido, onde devemos ser exatamente o contrário do que diz o nosso desejo, nosso pensar.
Talvez a grande jogada ou o xeque-mate disso tudo seja sentir com sinceridade a felicidade pela felicidade das pessoas as quais não pudemos a mesma coisa proporcionar. Que alguém lhes dê a felicidade que não somos capazes de dar. E seguimos em frente, perdendo uma partida ou outra, mas continuando dentro do jogo.











quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Lembrando de Nicky Crane

Algumas vezes somos confrontados por coisas ou acontecimentos do passado. O fato é que, por mais que se pense estar vivendo num país democrático, numa verdadeira era de “liberdades” a formação da população brasileira é ainda muito conservadora naquilo que se refere a orientação sexual.
Espartanos que somos, dentro de nossa discrição e de uma atitude mais natural em relação a forma de vida, não estamos isentos, contudo, de passarmos pelas revistas desagradáveis dos guardiões da sociedade moralista. Esta sociedade, geralmente formada por pessoas insatisfeitas com sua própria vida, transfere ao outro a responsabilidade pelas mazelas que, segundo eles, transformam o mundo em um lugar caótico e angustiante de se viver, justificando-se por “princípios, heranças” apegam-se a isso na defesa dessa sociedade que não consegue avançar no respeito às minorias, ao diferente.
Esses tempos, estava me lembrando de um personagem que tomei conhecimento há muitos anos, chamava-se Nicky Crane. Imagino que ele tenha sido um daqueles indivíduos que, lutando para ter um lugar em uma sociedade extremamente conservadora e até agressiva em relação a homossexualidade, acabou se envolvendo e, quem sabe, até mesmo acreditando em uma ideologia que seguia no sentido inverso dos seus sentimentos e mesmo interesses emquanto indivíduo. Nicky Crane se envolveu com o Nacional Front na Inglaterra e tornou-se posteriormente segurança em uma banda “propaganda” do mesmo partido, a Skewdriver de Ian Stuart.
Conta-se que era um homem muito corajoso, um brigão, calado, reservado, porém mantinha uma vida dupla que de certo modo era justificada ou disfarçada pelo serviços como segurança em casas noturnas gays em Londres. Ao mesmo tempo que servia com um modelo do homem valoroso dentro desse grupo extremamente preconceituoso, também era visto envolvido dentro das relações complicadas da sociedade gay na década de 70/80, participando até mesmo das primeiras manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais. Tanto de um lado como do outro, os que os cercavam “desconfiavam” dessa sua vida dupla, porém o seu temperamento agressivo desencorajava que os companheiros perguntassem; talvez até nem quisessem mesmo saber para não serem tomados como “coniventes” dessa verdade duplamente inconveniente.
A história em relação a descoberta de sua vida dupla é um tanto confusa, mas o que importa realmente é que ele foi descoberto e exposto até mesmo como artigo de jornal sensacionalista para ser em seguida expulso e repudiado dentro do grupo ao qual, por tantos anos, tinha prestado seu trabalho, costuma-se dizer que ele foi nessa trajetória "do céu ao inferno". Ridicularizado, desvalorizado como indivíduo e tendo sua qualidade de homem e de coragem achincalhada numa tentativa vergonhosa de justificar essa “falha de detecção” dessa "sociedade perfeita", ainda hoje é lembrado como uma história incômoda.
Não quero aqui transforma-lo em herói, ao contrário, sua trajetória é pouco louvável naquilo que fez como escolhas,  mas sim colocá-lo como um exemplo de como as pessoas podem ser complexas e as relações entre indivíduos, mesmo aqueles os quais se conhecem a bastante tempo e convivem intensamente, podem ser abaladas quando se tem expostos valores tão enraizados dentro de uma sociedade como a nossa, quando a homossexualidade é posta a mesa. Muitas vezes somos tentados a acreditar na boa reação daqueles que nos cercam, imaginando que este “nos conhecer tão bem” irá advogar em nossa causa, porém, ao longo da vida, tenho visto muito mais o contrário: o espanto hipócrita, a surpresa dissimulada seguida de um afastamento progressivo com justificativas confusas daqueles indivíduos que, até ontem, eram nossos melhores amigos. Não sou capaz de ver como bom negócio essa exposição desnecessária de sua intimidade, de sua vida mais particular. Peço aos jovens que tenham cautela, avaliem os limites de sua segurança, de seus interesses e de suas relações de amizade e confiança!




terça-feira, 30 de agosto de 2016

Inadequadamente Adequado

Havia já algum tempo que não escrevia. Por um certo momento parece que escrever ou falar sobre determinadas coisas acabaram perdendo a relevância, porém, como uma árvore que se planta em um canto do jardim, as ideias crescem e criam raízes e ramificações e uma hora somos obrigados a nota-la novamente, dar-lhe um trato, uma poda.
O fato é que o afastamento se deu ao mesmo passo que, de certa forma, eu buscava novamente um a paz de relações que me incomodavam um pouco dentro do meio gay. A entrada dentro desse circulo se dá sempre pelo lugar comum de busca por uma liberdade de expressão de ideias e relacionamentos, porém como tudo nessa vida, tem suas desvantagens e seu preço.
Comparando hoje, é muito clara a diferença nas relações que envolvem os relacionamentos entre homens que se sentem atraídos por outros homens e aquela do mundo "hetero". Na verdade falar de normalidade é algo muito perigoso, pois não existe normalidade em parte alguma. O ser humano é supreendentemente diverso em relação a personalidade e ideias e classificar como normal é de certa forma errar por "padronizar" algo que não pode ser. Dessa forma, talvez seja possível falar em adequação.
Quando transpomos os limites de uma sociedade a outra, de um grupo a outro, passamos, sim, por esse processo de adequação e o que me parece o elemento chave é exatamente isso: o quanto podemos nos adequar para viver em um grupo ou outro? O quanto de mudanças temos que fazer em nós mesmo para alcançar esses oásis de convivência pacífica?
Tudo que é novo é muito bem vindo de uma forma geral, mas com o tempo, as responsabilidade e a representatividade dentro desses grupos, sejam gays ou heteros, nos obrigam a pesar os custos e os benefícios.
Então eis o ponto crucial: de um lado tenho uma sociedade onde há a valorização do jovem, do belo, do bonito, do bem sucedido; de outro lado uma outra sociedade que procura equilibrar historicamente a falta da juventude pela experiência, o bonito pelo significativo, o bem sucedido pelo relevante dentro das relações do grupo. Entenda-se que aqui falamos de duas "micro-sociedades" apartadas da sociedade comum, da mídia, do "normal". Dentro e fora ao mesmo tempo. As os grupos masculinos de forma comum, tendem a ter essas características, uma hierarquia formada pelo tempo de convivência e realizações ao coletivo.
Vamos parar e pensar um momento em que tipo de sociedade, de grupo, de pessoas gostaríamos de encontrar entre espartanos, entre nós!
Como disse um bom amigo, "afastar-se do meio gay é um clássico entre nós", porém o que eu questiono aqui é: "Quantos de nós realmente refletiram a respeito de o que os fez fazer isso"?
A questão é que não adianta afastar-se ou se por disposto a construir algo novo, uma fraternidade, sem que exista também a consciência e o compromisso de abrir mãos das características que nos propomos a deixar para trás. A inadequação de atitudes e pensamentos dentro de um ideal, de um mundo intencionado como adequado.
Há uma máxima punk que diz que "saiu do punk, mas o punk num saiu dele", isto é, os hábitos estão tão arraigados dentro da personalidade do indivíduo que este não consegue ser outra coisa, pode mudar de aparência, pode falar diferente, mas o sentimento e a maneira de pensar continua a mesma. O que se serve é o mesmo, só mudou-se a travessa"
Simplesmente transpondo sem a "adequação" correta entre nós, essa vontade de mudança, estaremos na verdade somente criando "subgrupos" do que já existe: espartanos bears, espartanos fetichistas, espartanos "habitues" dos mesmo lugares (saunas, boites, chats e pontos de "caça"), das mesmas relações.
Para mim, ser espartano é ser homem simplesmente, adequado a qualquer lugar sem dar muita satisfação de como e com quem me deito, de onde ou com quem vou. Espartano é antes de tudo defender minha dignidade reconhecendo da importância que tenho em viver em sociedade.
Desde o principio me recusei a viver em "guetos". Ser espartano é ser adequado, mesmo onde tudo é inadequado.



quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A Cena

Esta noite senti saudades de um amigo... Um amigo virtual, que eu nunca conheci pessoalmente. De qualquer forma, quem foi que falou que é preciso conhecer alguém pessoalmente para se querer bem? Eu nunca conheci pessoalmente a maioria dos escritores que enchem de ideias e palavras as centenas de livros que tenho empilhados aqui no meu quarto, porém eu os quero bem e conheço suas ideias, e isso quase nos faz camaradas...Por isso essa noite resolvi escrever algo para meu amigo, Espartano Viril, para contar a ele sobre "a cena".
Cena talvez seja uma palavra bem conhecida de alguns, mas para aqueles que não sabem, é como as subculturas costumam chamar o conjunto de coisas que de certa forma materializam as ideias de um grupo. Os grupos dentro das subculturas, sejam elas punks, skinheads, motoqueiros...seja lá que diabo se invente, se unem, a principio, por ideias e gostos comuns, talvez uma forma de enxergar o mundo e a sociedade e, num esforço coletivo, começam a criar um pequeno mundo, uma pequena sociedade que se aproxime do ideal coletivo. Numa cena, temos um visual que nos identifica, temos locais de encontro, temos musica, eventos, temos parceiros com quem podemos conversar sobre todas as coisas relacionadas; todas essas coisas comuns nos une em torno do que passamos então a chamar de cultura!! Viver dentro de uma cultura e fazer dela seu modo de vida, e cada experiência vivida dentro dela, com seus companheiros, reforça ainda mais essa união, uma irmandade realmente.
Uma dessas culturas aliás, me bateu tão forte e estava tão entranhada dentro daquilo que sou, da forma que me defino, que hoje percebo, tentei de certa forma transformar a Fraternidade Espartana numa espécie de cena, incorporando elementos daquela cultura maluca que eu amava demais!
Nessa tentativa as vezes me frustrei, não poderia conceber determinadas características que tornavam impossíveis àquele momento nossa união em uma cena real, porém algumas pessoas estavam ali, prontas, aptas para fazer com que a Fraternidade Espartana desse uma caminhada para essa realidade maior que permitiria que a amizade rompesse as fronteiras do virtual.
Espero um dia ter uma Cena Espartana, a união de espartanos dentro de um espaço real, como irmãos, bebendo e fazendo churrascos, identificáveis por qualidades e uma postura admirável, viril, espero poder ver isso, ter contribuído para isso. Somente a união e o esforço de fazer o real pode criar para nos uma "cena", onde iguais encontram iguais.
Acho que tudo isso passa pelo pequeno esforço de doar mais de sí, romper o egoísmo da simples busca do prazer para uma irmandade também disposta a apoiar o outro, a "correr junto", "manter a chama acesa"! Meu camarada Espartano Viril, tem mantido a "chama acesa", mantido a fé!! Não temos que ser apenas leitores ou expectadores, mas temos que construir e manter nossa cena.

Tenho muito orgulho de tí, meu brtoher! Tenho muito orgulho de sua fé inabalável na Fraternidade Espartana!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Votar em Quem?

Reluto sempre em falar em política, mas seria uma enorme demonstração de alienação deixar de falar disso numa época dessas, de eleição.
Tenho visto ao longo dos anos uma crescente tendência da extrema direita em dominar o cenário ideológico. Nas eleições e entre os candidatos no geral vejo uma manifesta preferência por discursos conservadores, a prevalência de ideologias embasadas no fundamentalismo religioso quando não em regimes antidemocráticos como o fascismo! Temo por isso.
Não que eu apoio os partidos de esquerda, longe disso, mas acredito que em nosso tempo é necessário governar com mente aberta, não é possível reconstruir a sociedade do início do século XX, época na qual essas ideologias se cristalizaram, muito menos as épocas históricas do Velho Testamento, onde ao homem e a justiça era feita a golpes de espada e as minorias eram subjugadas ou eliminadas por ordem divina, seja lá qual deus desse essas ordens.
Já critiquei diversas ocasiões a forma de manifestar-se nas Paradas do Orgulho Gay nas grandes capitais do Brasil, no entanto também venho observado reprovativamente o surgimento de grupos anti-manifestações apoiados por grupos fundamentalistas religiosos e partidos de extrema direita; estes com sua organização muitas vezes superior em meios e contingente de pessoal dos grupos a favor dos direitos dos homoafetivos, vem marcado presença nos protestos, muitas vezes agindo com violência como forma de intimidação.
Enquanto alguns grupos pensam que manifestação política é carnaval, outros se organizam como milícia, usando e abusando de recursos psicológicos para o convencimento ideológico em nome de Deus ou de uma suposta ameaça “vermelha”. Esses grupos, organizados soldados de Deus ou guardiões das tradições patrióticas e familiares, criam representações políticas, concentram seus votos para elegê-las e, estando no poder, promovem aí seus interesses; se não combatem, criam entraves para cercear os direitos das minorias que vão contra aquilo que entende como a “correta forma de viver”.
Pior do que fazer de um protesto um carnaval de alienados é proibi-los de se manifestar por força de uma “mão de ferro”. O que eu gostaria de dizer, de pedir, é simplesmente que abram os olhos, votem naqueles que realmente os representam, em quem realmente tem interesses políticos iguais aos seus.
Por favor, não votem no engraçado, nem no bonito, votem no sério! Há tempos atrás houve um candidato a presidente, muito engraçado, à custa de declarações excêntricas e gesticular de um louco, conquistou o voto de muita gente, esse “representante” fazia parte de um partido de extrema direita que dava apoio ideológico para diversos grupos que agiam na informalidade e de forma violenta na cidade de São Paulo. Senhores, por favor, votem certo!
Quem fecha os olhos para os erros da historia correm o risco de repeti-los. Votar de forma consciente é seu maior instrumento de mudança.

Ps: Ao assistir o video abaixo, considerar que nem todo skinhead é nazista, os nazistas são denominados pelo movimento como bonneheads, cabeças de osso. E são combatidos por vários grupos da sub-cultura: punks, skinheads Sharps. Trojans e Rashs...



O Respeito Silencioso

O que é respeito? O que é respeitar?
No interior, nas grandes propriedades, os limites entre as propriedades são demarcados a arame farpado; dessa forma se entende que é necessário respeitar o limite entre uma propriedade e outra. Qualquer um pode passar entre os vãos da cerca, qualquer um pode se aventurar para o outro lado, porém, respeita-se, não se atravessa para além do limite que o outro estabeleceu.
Então posso entender que respeito é não ultrapassar o limite que o outro estabeleceu... Vem aí a pergunta? Eu sei qual é o limite do meu próximo?
Conheço pessoas que tem um “feeling”, um senso de percepção que os permite saber até onde podem avançar. Admiráveis, calam-se quando o que é declarado em uma roda de amigos não lhe agrada, olham reprovativamente, mas não entra em discussão, observam, refletem, mas não se manifestam em palavras, seu manifesto é a cumplicidade ou o silêncio.
Estas pessoas são racionais, a maioria delas deixou para trás seus preconceitos por conta de um racionalismo quase científico, não vêm mais o diferente de forma apaixonada mas, simplesmente como uma das diversas manifestações do jogo genético humano, assim como nas plantas e nos outros animais.
Destas pessoas o respeito se dá da forma mais pura, mais honesta, de livre vontade, pois, sabem que não vale a pena perder um bom amigo, horas de bom papo e companheirismo por conta de “miudezas” das vidas particulares. O que é particular não se avança! Como a cerca entre as propriedades que permite olha para o outro lado, ver tudo que lá está até a linha do horizonte, porém não se avança, mesmo podendo fazê-lo. A invasão àquilo que é do outro é algo inimaginável. O que é seu, para mim se não me prejudica, não necessita explicações.
Este é o respeito que deveria ser praticado pelo guerreiro, o respeito consciente, honesto, espontâneo, o respeito manifesto em não perguntar sobre aquilo que não lhe diz respeito, não invadir o limite do próximo.


domingo, 14 de setembro de 2014

Uma Historinha de Face Book

Bom, sempre conto lá alguma historia que observei pela vida e, nos últimos tempos chegou para mim uma historia que serviria bem de lição para muita gente.
Lá na empresa onde trabalhava havia um rapaz, homossexual, até bem discreto. Ocupava um cargo de respeito e, lá do seu jeito, era respeitado. As pessoas sabiam de sua sexualidade mas, deixavam pra lá, pois naquele local, apesar do preconceito latente, em questão as relações de trabalho eram tão tensas que ninguém na verdade estava muito interessado na sexualidade do outro e sim se tinha um alidado ou não.
O fato é que o tal rapaz liderava uma equipe formada por umas oito pessoas, todos homens e até que se prove ao contrário, heterossexuais. Esses homens sabiam da sexualidade do líder e excetuando-se uma piadinha de ocasião, isso também não tinha muito peso nas relações diárias.
O nosso “personagem” tinha um companheiro afetivo, morava junto e tal, a coisa de um ano ou mais, contudo não era fiel, nem um pouco! Não perdia oportunidade de dar uma pulada de cerca. E para fazer contatos para sexo, para quem não tem escrúpulos vale tudo: ligar pra número desconhecido, caçar pela rua, caçar nas redes sociais...Então, um belo dia acontece o que não deveria acontecer, ou melhor, não se espera que aconteça - pelo menos para quem assim procede...
O camarada criou um perfil numa rede social para seus relacionamentos de amigos heterossexuais e contatos de trabalho, e ligado a esse perfil um outro falso para servir as suas caçadas sexuais. No perfil “real” adicionou então um rapaz que era amigo de um dos membros do seu grupo de trabalho e com este “novo contato” ficou algumas semanas de bate-papo até que o assunto enveredou-se para o lado sexual da coisa. O “personagem” então pediu que o “novo contato” o adicionasse como amigo o seu perfil falso e, mesmo já tendo namorado, o propôs uma aventura usando para convencê-lo enviar várias fotos nus, desde da frente até os verso, desde o talo do palmito ao miolo da goiaba...
Enfim, as fotos nas mais variadas posições da nudez masculina passaram do amigo para o amigo, e do amigo do amigo para o amigo do amigo do amigo.
Em uma semana todo mundo tinha no celular as fotos mais do que indiscretas do "personagem". Não sei como a historia terminou ou terminará, espero que termine bem, com o esquecimento. Eu prefiro ficar longe dessa sujeira toda que pode trazer muito mais problemas aos envolvidos, principalmente quando a coisa se desenrola dentro de uma corporação. Espero que pensem um pouco nisso e reflitam no risco que se expõe, nas coisas que têm a perder com atitudes impensadas movidas penas pelo tesão absurdo e a incapacidade de se conter.