sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vivendo Em Outro Planeta

Há pessoas que vivem como em outro planeta. De uma forma surpreendente são capazes de ignorar toda a existência ao redor. Algumas pessoas acreditam lá dentro de si, que são diferentes, melhores talvez, de posse de propriedades super-humanas.
Propriedade dos náufragos e dos eremitas é o criar um mundo de um homem só. Um universo gigantesco de pessoas imaginárias e personagens que não se enquadram no mundo real...ou terrestre... São idéias que enchem mentes e transbordam num desfile chocante de personagens pois, a essa altura, como num caso de múltiplas personalidades, os indivíduos vão as apresentando umas após as outras esquecendo-se de quem realmente são.
Clarice Lispector um dia escreveu:
“Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.”
Acredito que todos nos deveríamos ser nos mesmos. Deveríamos ter a coragem de viver nesse mundo e enfrentar a realidade como forma de com ela interagir e mudar. Não acho que, como guerreiros, nos é digno o papel de “desertores da realidade” a um mundo paralelo. Nossa realidade tem que ser a de todos e todos devemos ter os mesmos direito de ser...,  seja lá o que for.
Não gosto dos guetos, dos refúgios, das dissimulações. Um espartano deve reivindicar seu lugar na sociedade e lutar por ser bom, ser útil, ter orgulho de si e dos seus. A única maneira de fazer isso é nos unirmos e fazermos com que as pessoas nos olhem com dignidade. Ser o “eu”, mas o “eu” verdadeiro.
Chocar a sociedade gera mais ódio, esfregar na cara dos outros coisas que em posse de nós mesmo – sem as máscaras – não o faríamos não é maneira adequada de reivindicar seu espaço. Não podemos fazer com que os outros nos tratem com normalidade quando nós mesmos nos esforçamos em sublinhar com o grotesco e o bizarro nossa presença, como se fossemos alguma espécie de alienígena residente, ou outros que acabaram de desembarcar de uma nave espacial.  Devemos ser o que realmente somos sem máscaras ou fantasias. Ser o que somos já é em si bem complicado!




Entre a Fé e a Ignorância Humana

Em diversas situações fui condenado ao “fogo do inferno”, até que um dia não liguei mais...
Ora, se está tudo perdido mesmo, porque a luta? Por que continuar lidando com uma força muito mais forte que a minha própria existência física. Afinal de contas, não se pede a um pássaro deixar de ser um pássaro, nem que uma árvore, torne-se um cavalo, saia trotando pelo campo a fora! Idéia absurda... , mesmo dando bom frutos as árvores são lançadas ao fogo!
Se tudo já estava decidido e basta, então alguém havia mentido para mim quando falaram do livre arbítrio. Como se decide em algo já decidido e a qual nossa vontade é inerte? O remédio então era continuar vivendo e pagar a parcela lá na frente se houvesse, afinal, não era mais questão de escolhas nem "opções".  Dessa forma sutil, muitos homens se afastaram das religiões, mas não da idéia da deidade pois, Deus é sentimento, presença inexplicável e não apenas palavras...
Não vejo nada de errado em um homossexual ter fé. Ao longo da vida conheci pessoas incríveis cuja fé, em muito, superavam a de centenas de heterossexuais ditos praticantes. Era uma fé tão poderosa que era capaz de superar inclusive a rejeição das comunidades religiosas e da avalanche de besteiras que teriam o poder – se não fosse a fé – de sufocar e esmagar qualquer  ato de devoção, a acreditar em algo superior que, este sim, já os havia perdoado seja lá do que fosse e era capaz de compreender com profundidade qualquer problema, qualquer pensamento, qualquer ser humano. Afinal de contas, que absurdo seria um homem tentar desvendar os critérios que fazem Deus  glorificar um homem e não outro? Se assim o fosse, que fácil seria criar virtuosos. Estas pessoas, mesmo vivendo o lado perverso e obscuro (e bota obscuro aí!!) das religiões, conservaram fortes o sentimento de fidelidade a Deus por razões que somente eles poderiam explicar ou apenas, sentir.
As vezes observando acho até divertido. Quando se está fora do jogo podemos analisar todos os times e, quando analisamos as religiões e seus membros temos a impressão clara, pensam e agem como aqueles times pequenos, cada qual clamando para si a honra de serem campeões de um campeonato que nem sequer tem data para acontecer. “Somos os melhores” pois temos bons técnicos e artilheiros...”, “Nosso time tem tradição e técnica”, “Nosso time tem raça e humildade para se adaptar a qualquer situação”. Contudo, o Juiz é quem irá decidir, isto lá no final do campeonato. E quantas vezes no campeonato da humanidade o azarão foi o vencedor.
Como um homem racional e que sempre prezo pelo conhecimento histórico, não posso – infelizmente (?) – concordar totalmente com as “verdades absolutas dos fundamentalistas*. As religiões, sejam lá quais foram, erraram, os homens erram e os livros também. Espremer a verdade divina dentro de um livro e julgar que o Criador é imutável é algo que minha compreensão não alcança. Nada na criação divina é imutável, tudo é passível de mudança, de variações infinitas e adaptáveis as demais forças que se cercam e se unem. Plantas, animais, forças da natureza, são criações incontestáveis da criação de Deus e toda essas obras estão em evolução, modificando-se, adaptando-se, inclusive o ser humano. Nem as pedras são imutáveis.
Pesaroso é constatar que a ignorância humana é também mutante, elegendo ao longo da história esta ou aquela vítima para se alimentar do sangue, fechando os olhos às evidencias e só aceitando como verdade aquelas que lhe convêm. O homem em sua insolência sente-se o “procurador” de Deus, aquele que, da posse de um papel se acha capaz de decidir por Deus como se este fosse um incapaz, impossibilitado de decidir sobre o que lhe pertence e de invalidar a autoridade dada ao homem (que assim o pensa...).  Mas, esta historia está longe de chegar ao fim, muita tinta ainda vai ser gasta em textos, jornais, revistas e...livros. 

 "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." - Mateus 7:1-5

*
a)  a inerrância absoluta do texto sagrado;
b) a reafirmação da divindade de Cristo;
c) a proclamação do nascimento virginal de Jesus;
d) a  pregação da morte e ressurreição de Cristo como garantia da redenção universal;
e) a proclamação da ressurreição da carne e a certeza da segunda vinda de Cristo.






terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Físico Ideal

Uma das coisas que mais me chamou atenção de início no ideal espartano é a preocupação com a saúde, diferente de outras culturas. Força, saúde a agilidade são conhecidos valores dos espartanos da Grécia antiga e fazem também parte dos valores partilhados pelos atuais espartanos. Em outras culturas urbanas, aos aspectos relacionados ao corpo, existe antes uma preocupação estética maior antes da preocupação com a saúde. Analisando de uma forma mais aprofundada esse aspecto, vamos perceber que nem sempre as duas coisas andam juntas, o fato é que sempre se procuram o caminho mais curto para se alcançar certos ideais em detrimento do mais longo, quase sempre mais trabalhoso de se alcançar e manter. Dentro de um modo de vida comum entre alguns homossexuais, os excessos andam de mãos dadas com o que se entende por diversão: excesso no consumo de bebidas alcoólicas, drogas, aliados a uma alimentação deficiente e hábitos sedentários, diminuem em muito a qualidade de vida desses indivíduos reduzindo de forma significativa o tempo de envelhecimento.  Não dá pra pensar que se pode viver a vida como se vivem em uma festa, há horas que a vida nos exige seriedade principalmente quando o que nos afeta é a própria saúde.
Evidentemente que não pregamos aqui nenhuma espécie de ditadura da “boa forma”, porém é importante que tenhamos como valor pessoal a boa forma física e um corpo funcional por razões que transcendem simplesmente a vaidade e os jogos de conquista. Sabemos que a maioria dos espartanos tem certa independência da família e podem passar longo período de vida sozinhos, nem sempre podem contar com pessoas próximas para ajudá-los em momentos de debilidade física ou limitantes as tarefas do dia-a-dia, o fato de buscar manter a saúde é também buscar manter essa independência de terceiros para as tarefas rotineiras pelo tempo mais longo possível ao avançar da idade.
Rotinas de cuidado com a saúde, hábitos saudáveis, atividades físicas são valores que estão intimamente ligados a cultura espartana, mesmo por apelativos históricos. É valido lembrar que os guerreiros espartanos submetiam-se a duros treinamentos físicos desde a infância até a idade dos 60 anos. Corpo saudável deve ser uma característica espartana!
Bom, mas... Corpo saudável e forte não é sinônimo de corpo musculoso ou bombado, certo? Recorrer a recursos que podem afetar de forma significativa a saúde como o uso de asteróides anabolizantes, dietas fora de orientação médica para a perda de peso, uso de remédios por efeitos puramente estéticos não combinam com o ideal de força e saúde intrínseco a imagem do espartano. Um corpo normal e sadio é melhor que um corpo musculoso a beira de um colapso. O uso de substancias anabolizante, quando de maneira errada, pode desenvolver diversos problemas que vão desde aumento da pressão arterial, insuficiência renal a câncer.
O corpo antes da vestimenta, boa saúde antes da estética, corpo funcional antes de ideais de beleza.








domingo, 26 de agosto de 2012

Bullying

Bullying agora virou uma palavra de moda, virou tema de discuções na mídia, por legisladores..., falam de projetos para a criminalização.
Desconheço homossexual que não o tenha sofrido, principalmente na infância e adolescência. O bullying nos circulos de convivência: igreja, escolas, trabalho.., constitiu para muitos o primeiro alerta de que é diferente em sua atração sexual.
Sou um daqueles que pensa que a atração pelo mesmo sexo é algo genético, quem assim o sente sabe que não é uma questão de escolha e recorda-se de suas inclinações desde a mais tenra infância, porém o "bullying" é que nos mostra a todos o lado mal da coisa toda pois na fase da adolescência, quando se passa pela fase de formação e afirmação do caráter, os pais no geral cobram dos filhos atitudes entendidas como "normais" para o homem e a mulher. O não enquadramento nos padrões cobrados, a percepção da diferença, a rejeição dos colegas pelo que é diferentes, destroi a auto-estima e cria um circulo vicioso de ações e reações violentas onde quase sempre os perdedores são as minorias.
Falado em outra ocasião, a sociedade no geral, sempre apresenta o homossexualismo como algo caricato, o padrão estabelecido pela mídia de que o homem que sente atração por outro homem é engraçado dá aos cidadãos a premissa de achar que o homossexual deva ser visto como piada - uma piada não é lavada a sério. O escarnio sobre características reconhecídas aos personagens comicos ao imitarem gays, para os jovens e adolescentes, cria a permissividade para que se oprima o colega a quem essas características se atribuiem. Aquele que sofre a agressão entre os meninos, rejeitado pelos pares, invariavelmente buscará aceitação maior entre as meninas passando a fazer parte então desse universo feminino. O resultado ao longo do tempo são indivíduos que enchergam a sí proprios como um meio termo entre o masculino e o feminino: não mulher por sua genética porém, não se sente homem pois seu psicologico se desenvolveu feminino. O resgate dessa masculinidade leva muito tempo, porém os traumas permanecem para toda a vida. Bullying é antes de tudo uma tortura psicológica que força no caso dos homossexuais, reconhecer sua diferença do que a sociedade tem como normal no padrão judaico-cristão, num momento da vida onde nem mesmo tem parâmetros e maturidade suficiente para resolver seus proprios conflitos. Depressão, tendências suicidas, são algumas das facetas que a internalização desses conflitos podem gerar.
Bullying tem sua raiz na permissibilidade que a sociedade oferece para que as maiorias ridicularizem as minorias. Enquanto se achar graça na figura do homossexual, haverá intrinseco a permissão de se fazer com que o homossexual seja visto como "diversão das massas", daí o descaso pelas autoridades - jurídicas, policiais, professores, diretores - em reprimir tais atos entre jovens e adolescentes. O bullying de hoje é o assedio moral de amanha, o jovem que comete um é o que irá cometer o outro na vida adulta, pois isso é que aprendeu em sua formação como indivíduo: é engraçado, é legal e impune humilhar e ridicularizar os outros. Não devemos somente reprimir o resultado, temos que lutar para que a origem do problema também seja combatida, isto é, uma mudança de cultura e respeito por todo o ser humano. Somente quem sofre ou sofreu o bullying sabe o peso que isto tem.
Nosso dever como espartanos é auxiliar os jovens a enfrentarem esse problema e lutar contra isso, mudar antes de mais nada a visão da sociedade refentes ao homem que sente-se sexualmente atraído por outros homens. Devemos agir e nos sentir homens como qualquer outro, e sermos orgulhosos de nossa masculinidade.











sábado, 25 de agosto de 2012

Espartanismo - A Fraternidade Espartana

A intenção deste blog é apenas apresentar textos para a reflexão sob o ponto de vista de um espartano, porém, partindo do presuposto de que algumas pessoas tomam seu primeiro contato com esse "ideário" através desse blog, acho importane delinear algo sobre o espartanismo mesmo que num ponto de vista pessoal.
O espartanismo é uma forma de entender em sí, o que comumente se caracteriza como homossexualismo, de forma natural, sem neurozes e sem distorções capazes de fazer com que o homem que tem como objeto do desejo outros homens - androfilo - veja essa sexualidade como um problema. O fato de certa parcela da sociedade encarar essa forma de relação entre homens como um problema não deve ser encarado pelo homem que vive esse desejo também como um problema, por isso a união, por isso a necessidade de apoio mútuo, a fim de sob um novo prisma analisar seu lugar na sociedade e como ser humano.
Apoiado em estudos sérios sobre o comportamento dos homens ao longo da historia, a Fraternidade Espartana busca resgatar antigas tradições guerreiras, onde o relacionamento sexual entre homens era algo natural. Oferece assim uma alternativa aos homens que se relacionam sexualmente com outros homens de encarar a vida e reconstrução da auto-estima.

Para saber mais:

Portal da Fraternidade Espartana:
Espartano de Fato:
Site Norte Americano com idéias semelhantes:

Contatos

Espartano Alfa - contato principal
espartanosalfas@gmail.com

Espartano de Fato - contato secundário

espartanodefato@gmail.com






sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Rua da Lama

Há um verbo pouco usado, mas que descreve muito bem algumas atitudes, o verbo este se chama “mariscar”. Mariscar é o ato da catar mariscos, geralmente na lama, entre as pedras ou no mangue com a finalidade de...comer...
Pratica comum de alguns solitários (?), principalmente nos grandes centros urbanos, são as viagens noturnas as “ruas do mangue” ou “ruas da lama”...Lugares de prostituição onde podem encontrar sexo fácil. Assunto espinhoso e pouco falado entre homens e homens, mas é aí que mora o perigo, já diz o velho ditado, na “na noite todos os gatos são pardos” antão, fica difícil saber quem e bom quem não é, ou melhor, o que é verdadeiro e o que é falso.
Não buscamos encontrar santos, nem demônios, nem questionar determinadas coisas pela ótica da moralidade, porém é preciso colocar em evidencia os perigos que certas praticas envolvem.
Cada um dentro de suas razões para estar a “mariscar”, ou sendo “mariscado”, o fato é que a noite, nas ruas, as verdades são relativas. Quem encara pessoas como produto pode também ser encarado como gado pronto para ir ao matadouro. O jogo do “submundo” não tem espaço para jogadores inexperientes e no carteado da prostituição só lucram os melhores, independente do lado da mesa, os jogadores flertam com a morte. Entre as cartas estão o tráfico de drogas, uso de entorpecentes, doenças venéreas, roubo, psicopatia e sociopatia, e por aí vai...
Existem homens que dizem estar nessa por dinheiro, pela necessidade, porém é fato que nenhum homem que não aprecie o sexo com outro homem iria sujeitaria o próprio corpo a um contato que lhe causaria repulsa; muitas vezes ocorre que homens que não conseguem encarar a própria realidade ao fato de serem homossexuais acham na exploração do dinheiro a conforto psicológico para entregarem-se a um prazer que eles mesmo condenam, muitas vezes associados ao vício de drogas ilícitas. Com o tempo, mesmo sem ganhar nada, continuam na rotina da prostituição pelo que eles chamam de “fissura”, o vício do sexo ocasional. Do outro lado, pessoas solitárias que buscam o anonimato e o sigilo em suas relações nem sempre estão apenas traindo seus parceiros ou escondendo-se da visão e do julgamento das pessoas, o ser humano tem as mais diversas necessidades de sexo ao prazer da maldade. De ambos os lados existe a violência, o fato de pagarem pelo prazer cria nos clientes um senso de poder e no sigilo, a falta de testemunhas, a violência pode não encontrar limites.
Aos espartanos cabe a cautela, entre as virtudes do guerreiro está o senso de preservação e o respeito com o próprio corpo e integridade. Lembrando o ditado popular: cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.






Manter Um Relacionamento

Quando o assunto é relacionamento amoroso, chovem especialistas (eu que o diga!!) , palpites dicas, conselhos para apimentar relacionamentos e sair da rotina, como se o relacionamento a dois fosse um guia de turismo ou manual de uso de produtos de sexshop. Os homens ao se relacionarem com outros homens são muito “criativos” em encontrar esse tipo de solução. A grande maioria porém, sofre de uma síndrome que é a chamada “Síndrome dos 3 Meses”, isto é, envolvimentos superficiais cuja a duração não consegue ultrapassar os 3 meses de convivência. Os relacionamentos simplesmente acabam por motivos justificados a falta de tempo, ciúmes exagerado, incompatibilidade de gênios. ..Seja lá o que se use de desculpa, sempre devemos entender como uma forma “sutil “ de dizer: “não da mais, a brincadeira perdeu a graça”.
Acho que o grande problema dos relacionamentos entre homens é a falta de análise do que realmente se busca. Quantos de nós, afinal de contas, já parou para analisar o tipo de companhia que queremos ao longo da vida, o que esperamos da pessoa que esta do nosso lado? Será que aquilo que eu busco como “ideal” é realmente possível? Será que eu não sufoco meu parceiro com excesso de expectativas e cobranças? Há de ser levado em conta que no nosso tipo de relacionamento estamos tratando com equivalências, são dois homens que pensam, sentem e preservam valores masculinos – corretos ou não – e que muitas vezes, abrir mão é como perder a própria autonomia. Questão de princípios ou ego? Cada um deve analisar...
Muitos dos que reclamam de não conseguir manter seus  relacionamentos por longo tempo têm em comum uma imensa dificuldade de abrir mão de hábitos que mantém quando solteiros: o convívio intenso com os amigos, a liberdade de não dar satisfação do próprio destino, a vida noturna, as aventuras sexuais... Na verdade sentem a necessidade da segurança afetiva que um parceiro fixo pode oferecer, porém não estão dispostos a mudar suas rotinas e seu modo de viver como solteiros, é ai então que começa o conflito.
Evidentemente que não podemos, nem devemos, abandonar nossas atividades e amigos de forma radical por conta de um relacionamento, porém, o relacionamento sério a dois precisa de dedicação e tempo “a dois” para construir sua história, sua intimidade. Cada um deve facilitar que o outro conheça e participe de sua vida social, porém o afastamento de algumas atividades é necessário para o desenvolvimento de outras naturais a um casal. Namoro não é somente parceria íntima, se assim o é, não pode ser chamado de sério, nem compromisso. Deve haver uma troca e um entrelaçamento da vida de ambos os parceiros.
O início dos relacionamentos, principalmente nos primeiros meses é uma fase de intenso conhecimento entre as partes, não concordo mas dizem que é a fase da “paixão”..., e paixão geralmente dura pouco! Cada um tentará mostrar o melhor de si para reforçar a conquista e nem sempre os defeitos são tão evidentes; não existe rotina, pois cada um está explorando mundos desconhecidos que pertencem ao outro parceiro, contudo nem sempre é possível manter em alta a carga de “novidades”. Temos que ter em mente que os romances na vida real não são como nos filmes, no mundo real as pessoas tem seus altos e baixos e o amor (não confundir com a paixão) se desenvolve e se fortalece muito a partir da compreensão, da concessão, do compartilhar de objetivos e do companheirismo. Quem não esta preparado para conviver com os defeitos também não está preparado para viver um longo relacionamento. O espartano deve se levar a sério e aos outros também, ser auto-suficiente não é ser insensível as necessidades do companheiro.
Sexo bom e paixão por vezes fazem o contato entre duas pessoas durar, porém o resultado, se apenas baseados nesses dois pilares, são relacionamentos neuróticos onde o ciúmes e a paranóia tomam conta. Ninguém vive bem brigando ou despedaçando-se a auto-estima em pró de um sentimento confuso ou de alguns minutos de prazer. Cada um de nós merece mais que isso.
Conhecer a si mesmo, corrigir suas próprias falhas, saber analisar suas reais necessidades e a dos outros é o melhor caminho para qualquer bom relacionamento. Lembre-se, ninguém pode exigir mais do que está disposto a oferecer.





 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Amizade

Como não somente a chicotada faz o cavalo andar (risos), uma homenagem aos meus amigos!! (risos)

L'amitié


Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse

Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras

Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines

Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois

L'amitié (Tradução)


Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguem quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama





A Lição de Tom

Lembrei-me de repente de um ponto na adolescência onde eu tomei consciência do que eu era, um androfilo (nessa época eu ainda não conhecia esse termo...). Naquele momento fiquei bem preocupado, porém a evolução foi inevitável, era como tentar parar um trem em movimento com a ponta do indicador, coisa de desenho.
Enfim, o instinto e a curiosidade vão levando à descoberta e eu me lembro que, em alguma página desse passado foi me apresentado o primeiro desenho do Tom da Finlândia. Naquela época, num passado nem tão distante assim, mas suficiente distante da era do computador e da internet, os modelos de masculinidade apresentados pelo Tom eram algo a ser seguido. É claro que existiam outros modelos, como os Rock Stars andróginos como Brian Ferry e David Bowie, porém com estes não tinham a minha identificação...Evidentemente constituía uma idéia absurda sair por aí vestido de Ziggy Stardust, ou pintar as unhas de preto como Lou Reed. Em relação a Brasil, é melhor nem falar! O que hoje é tão comum, naqueles tempos era algo somente imaginável na Europa ou no futuro.
As imagens de Tom resumiam aquilo que buscávamos esteticamente, talvez de forma mais simples e nem tão associado ao fetichismo que veio depois. Homens perfeitamente másculos, corpos fortes em roupas normais, sim normais! Roupas de couro negro, casacos pesados, calças jeans e botas de trabalho sempre fizeram a continuarão a fazer parte do vestuário masculino, Tom nos apresentava homens vestidos de homens, em roupas de trabalho porém extremamente justas. Jeans e camisetas brancas, ajustavam-se ao corpo quase como uma segunda pele, perfeitamente perdoável quando se tinha um belo corpo! Lembremos também que se tratava de um recurso artístico onde se buscava mostrar um corpo nu, mas também dar uma identidade ao personagem.  Aí estava a diferença, ao andrófilo bastavam as roupas do dia a dia, o orgulho estava no corpo forte, másculo, saudável, isto era o sensual.
Evidentemente que não tínhamos a pretensão de sair por aí trajando roupas tão justas (?), porém a lição que nos era dada é que não era a embalagem e sim o conteúdo que importava. Não havia referencia de marcas, grifes, somente a graça de estar trajando roupas funcionais masculinas de forma a valorizar a própria masculinidade como objeto de atração a outros homens.
Não sei em que ponto a coisa toda mudou. Hoje os modelos são outros e a moda masculina se mistura com a feminina em combinações “estranhas”, os padrões mudaram, evoluíram talvez, porém ainda a muito do Tom por aí.






Homens Casados e Relações Sigilosas

Bastam alguns minutos em qualquer sala de bate-papos das grandes cidades e logo encontraremos com sujeitos que, escondendo-se atrás de uma tela de computador procuram de forma quase compulsiva um parceiro para sexo. Nada demais se deixarmos o moralismo à parte, porém, entre esses se encontram homens casados e encobertos pelo sacro manto do casamento procuram de forma sigilosa diversão na cama de outro homem.
Tentando analisar esse “fenômeno” pela ótica espartana, vejo a principio dois grandes problemas: a desonestidade e a irresponsabilidade, para consigo próprio e para ao menos mais uma pessoa envolvida.
A desonestidade, a pior espécie e aquela praticada a sí mesmo, pois acho pouco provável que uma pessoa possa ter igual preferência em relações com o sexo masculino e feminino, se o é desta maneira que fique solteiro e assim poderá desfrutar das suas relações a bel prazer. Optando-se por um relacionamento, seja hetero ou homo, o indivíduo deve no mínimo ser franco com o parceiro para que este relacionamento possa ser prazeroso para ambos. A falta de honestidade nessas relações faz com que uma das partes se sinta usada e dentro dos conceitos de honradez de um espartano isso não se enquadra. A parte moralismos, pois cada um deve ser juiz de si mesmo, mesmo que para sexo ocasional um espartano não deve se envolver com parceiros casados e ser o terceiro em uma relação heterossexual.
A irresponsabilidade, já que quer queira quer não essas relações acontecem dentro do campo das convenções já estabelecidas pela cultura judaico-cristã, o julgamento tende a ser feito dessa mesma forma. A um homem casado com uma mulher, que constituiu uma família, em uma “brincadeira” como esta de aventurar-se com outros homens, ao ser descoberta, causará grande prejuízo psicológico a todos os envolvidos. Esposa, filhos e parentes não tem o dever de compreender a traição ainda mais com um parceiro do mesmo sexo o que aos olhos da sociedade atual constitui um forte agravante.
Entendo que o ideal ao androfilo, do homem “espartano”, é sempre ser honesto consigo mesmo e com as pessoas que os cercam. Vale lembrar sempre que responsabilidade e honestidade são valores que atestam o valor de um homem, seja ele ou não um espartano.
As necessidades de constituir uma família, com filhos – se este é o pretexto – pode ser feita de várias outras formas, inclusive com a adoção, pois hoje a justiça vem se tornando cada vez mais aberta a conceder adoção a casais do mesmo sexo. A falta de coragem para enfrentar sua realidade não deve mascarar a covardia de se constituir uma relação de mentiras.

Orgulho Tribal

Ultimamente tenho lido bastante em algumas literaturas pequenas referencias ao “orgulho tribal”, mas o que é isso?
A idéia do “orgulho tribal” é muito próxima do que se costumava designar “espirit de corps”, isto é, uma consciência de grupo onde o indivíduo se vê como parte importante do coletivo maior e isoladamente compreende que sua própria permanecia em um modo de vida depende de sua contribuição àquele grupo. Com esta visão, o indivíduo é capaz de fazer qualquer coisa como forma de cooperação para a manutenção daquele sistema, há aí uma integração entre as pessoas onde espontaneamente cada um faz sua parte.
Quando se fala em tribo, entendam-se aqui as tribos urbanas, existe ainda mais forte a consciência da defesa de um modo de vida. Agrupados por afinidades como idealismos sociais, modo de se vestir, tipo de som que apreciam, os indivíduos tem um sentimento de família e cada um passa a ver o outro como um irmão. Aos irmãos mais velhos cabe a responsabilidade de ensinar e zelar pela integridade dos irmãos mais novos, aos “patriarcas” a responsabilidade de vigiar para que as idéias não se subvertam e que os conflitos internos sejam minimizados. Dessa maneira, as tribos vão se desenvolvendo e divulgando suas idéias. E ideal coletivo é tão coeso que torna-se uma forma única de pensamento, que molda o indivíduo e passa a fazer parte de sua personalidade.
O “orgulho tribal” passa a ser então o orgulho de sua “família”, família por escolhas e afinidades, e torna-se uma questão de honra defender esses valores mesmo a risco da própria vida como o que se vê nos conflitos de rua entre as gangues. Talvez isso seja algo de primitivo nos homens, mas este sentimento de unidade com sua tribo faz com que cada um se esforce para ter um papel importante na manutenção de um modo de vida, defender a liberdade de se expressar de uma forma distinta da sociedade a qual estas pessoas estão inseridas. Os conflitos entre esses grupos, em nome dessa honra, são na verdade oportunidades de mostrar aos outros companheiros suas virtudes masculinas como a coragem, a honra, a camaradagem, sua habilidade em lutar e sair de situações de extremo risco; coisas estas que a sociedade moderna tenta sublimar/substituir de forma deficiente através de filmes, esportes e jogos – em nome da civilidade.
Independente de ser algo da natureza humana, a atual sociedade vê essas expressões de masculinidade como manifestações do incivilizado, do que não é desejável na sociedade moderna, do inadequado, porém ignora que o “orgulho tribal” por muito mais tempo que a atual sociedade tem sido fator determinante de união e cooperação entre homens e até mesmo de ordenação. Seja no exercito, nas equipes esportivas, nas torcidas, nas tribos urbanas, esse sentimento de unidade e cooperação – excetuando-se a propensão a radicalização – permanece como algo desejado como um fator de progresso coletivo.




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jack Donovan - A União Segundo "Blood Brotherhood"

Recentemente terminei de ler o Livro de Jack Donovan, “Blood Blotherhood”. O livro nos apresenta várias situações ao longo da historia onde os “pactos de sangue” foram travados. Há neste livro um esforço em unir historias, descrições antropológicas, lendas que confirmem a importância que os pactos de sangue tiveram como elemento de união entre homens pró uma causa comum.
Seja por seu poder simbólico e até mesmo biológico, os pactos firmados em sangue sacramentam compromissos de cooperação e fidelidade entre homens de forma mais forte que talvez os laços verdadeiramente consangüíneos poderiam ter, porém, deixando um pouco de lado as questões de sangue, o ponto convergente da discussão é o atual modelo de união entre homens.
Pode ser que nunca seja possível determinar de forma inquestionável os fatores que levam a isso, mas entre uniões do mesmo sexo existe sempre a tendência ou tentativa de se determinar o elemento masculino e/ou feminino. A sociedade no geral, com a aquiescência dos próprios evolvidos, se esforça mais uma vez em classificar o masculino e o feminino numa união homoafetiva. A palavra já diz tudo, homo= igual + afetiva = de afeto, sendo assim não deve haver uma polarização. Dentro da velha escala de identificação de características masculinas ou femininas o que não se pode esquecer é que biologicamente não existe diferença entre os parceiros. Nos casamentos heterossexuais celebra-se a união de dois elementos que a princípio, independente de suas afinidades, deverão se unir para a procriação, não necessariamente a cooperação, temos então o masculino e o feminino e isto basta.
Ao que tange aos rituais de união, ainda tende-se a seguir os modelos já estabelecidos numa adaptação onde muitas vezes só se modifica o vestido de noiva ao terno. A proposta do referido autor – Jack Donovan – é que entre homens, adotemos um método de união historicamente fundamentado, tradicionalmente usado e aceito por estar fortemente enraizado nas tradições dos povos  e que sempre foi usado para unir homens. A rejeição dos modelos heterossexuais para união entre parceiros e a adoção de um novo modelo garante a sociedade uma correta visão do que consistirá essa união: a junção de dois parceiros em busca da cooperação, fidelidade e desenvolvimento comum além de qualquer adversidade. Como guerreiros devem lutar juntos para vencer as batalhas da vida.
Entendendo a união entre homossexuais como uma nova conquista, é necessário também que se adote uma nova forma de oficializar e celebrar, seja com sangue ou não, esta união onde desde o início ambos os parceiros sejam tratados com a mesma importância, onde nenhum deva modificar sua condição masculina para que a união possa se concretizar ou ser compreendida.



Ser ou Estar...Eis a questão!

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na Fraternidade Espartana é a preocupação em dar ao indivíduo elementos que o façam refletir quanto a sua condição de vida, isto é, existe uma preocupação em dar ao indivíduo andrófilo um direcionamento às necessidades mais permanentes na vida. Relações de trabalho, evolução cultural e de carreira, manutenção da saúde, conduta social...são assuntos que, vias de regra, são deixados de lado pela cultura dos homens que gostam de homens, ou pela sociedade no geral.
A idéia comum vendida pela sociedade é uma relação de consumo imediato e talvez, por força da necessidade urgente de uma identidade e fortalecimento da auto-estima, alguns “andrófilos” passam a se preocupar exageradamente com a aparência. Não consideramos  errada a vaidade porém existe um limite em que, por nome da vaidade e de uma demonstração do bem sucedido – o que é falso – alguns indivíduos sacrificam a própria saúde e suas vidas financeiras em busca de uma APARENTE maneira de viver e cujo preço é cobrado mais a frente. O corpo em forma é conseqüência da boa saúde e qualquer roupa cai bem em um corpo equilibrado; o contrario não é verdadeiro. O carro é um conforto aqueles que podem ter e mantê-lo, uma ferramenta para transportá-lo aos bons lugares, não uma “via crucis”  de sacrifícios para mantê-lo e que nos direciona pelo caminho de uma falência financeira. O que não tem alicerce nem respaldo não se mantém.
Roupas da moda, lugares badalados, produtos caros, são coisas que nos dão prazer, porém usufruí-los pode ser feito a qualquer fase da vida. Viver a vida com equilíbrio e adquirir valores reais devem fazer parte das preocupações de cada “andrófilo” de forma a manter por toda a sua existência. Preocupações fúteis em tentar demonstrar aos seus pares um estilo de vida de sucesso não devem fazer parte da vida daqueles que tem como meta o crescimento pessoal. Um lobo não se torna cordeiro por vestir-lhe a pele e por mais que se pareça, um vidro lapidado sempre será de menos valor que um diamante, por menor que este seja. As escolhas que fazemos hoje terão reflexo no amanhã.






O Estereótipo do Homem x Homem

Talvez exista uma grande ansiedade em se definir o que é preciso fazer para ser aceito pela sociedade de forma plena. Aos indivíduos, em posse de um senso crítico implacável, há a procura em moldar-se ao “esperado” socialmente, anulando desejos e expressões honestas de si mesmo e montando, peça a peça, uma identidade falsa dentro de “estereótipos” de um comportamento. A sociedade rejeita o diferente por não conseguí-lo classificá-lo de fora a adequada; ao cidadão intelectualmente limitado, não é possível definir um conhecimento sem o ponto de partida da classificação, seja de pessoas ou coisas, é necessário partir a análise a partir daquilo que sabe seja pela própria experiência ou daquilo que definiram para ele como conhecimento coletivo – “o que os outros me disseram, o que meus pais me ensinaram”. O conhecimento coletivo é parte da cultura de um povo. O problema se forma quando a “cultura” de um grupo permite que as pessoas exerçam quase que um direito de oprimir as minorias, ou exercerem ações claramente maléficas a grupos “diferentes”.
Os estereótipos, como surgem? Na maior parte das vezes não é possível identificar suas origens, estão profundamente enraizados na memória coletiva que é praticamente impossível anulá-los. A atual sociedade judaico-cristã criou para o homem um referencial do que ser, algo ao qual as pessoas identifiquem como o objeto da definição de uma palavra, reunindo ali um conjunto de qualidades (?) mais ou menos concordantes. Dessa forma define-se: isto é um homem, isto uma mulher e isto um gay.  Ao gay, entende-se tudo o que não se encaixa na definição do homem e da mulher, o que é dissonante ou inarmônico entre dois pontos bem definidos. O gay é aquele que está exatamente entre os dois pontos, nem uma coisa nem outra, mas um ser conflitante entre os valores masculinos e femininos, estranho de sí, para si e para os outros, variações mais próximas aos pontos A ou B de convergência apontam então para outras definições, cujas classificações são quase sempre pejorativas e reafirmam a inadequação ao que a sociedade espera dentro de sua classificação do “normal”. A sociedade é clara e procura ser objetiva quando se define o que dever ser ou o que se espera de um homem e uma mulher, dessa forma é que os indivíduos são orientados ao longo de sua formação, porém, ao que foge dessas definições a sociedade abdica, apenas classifica como o produto falho, algo inesperado e indesejável “não nos pertence”. Cria-se assim um subgrupo e este então uma sub-cultura que os faça sentir como pertencentes a algo, uma sociedade alternativa dentro de uma sociedade que os rejeita.
Quando se fala a palavra “espartana” e define-se um grupo como espartano, tenta-se definir um grupo de indivíduos cujas características são distintas, porém não incomuns, um grupo de pessoas aos quais, pelo comportamento e valores os una numa nova definição do que é possível ser como indivíduo e detentor de sentimentos e interesses comuns. Assim como um modo de vida e o pensamento de um povo define uma cultura, e para se haver uma cultura não é preciso haver uma Pátria, o “espartano” se une através das idéias e valores, buscando então criar uma cultura que os defina de forma clara e os identifique como membros de valor na sociedade. Entendo que o primeiro ponto então para essa nova cultura seja o desapego aos valores já definido para aqueles cuja sexualidade seja classificada como androfila. O gradual desapego a valores destorcidos e impostos pela sociedade judaico-cristã aos pequenos grupos e a busca de uma identidade formada por novos valores é a nossa busca e deve a futuro definir – talvez um novo estereótipo – mas a maneira como a sociedade deverá nos ver e classificar. O sentir-se espartano é identificar-se com valores perdidos ao longo da evolução da sociedade moderna e buscar entre iguais o senso de irmandade comuns aos grupos masculinos. Existe uma percepção diferente do “ser homem” porém sem depreciá-lo como um “produto falho” da sociedade estabelecida. Ao espartano resgatam-se valores que o permitirão retomar seu lugar na sociedade como parte integrante e de valor social, o papel do guerreiro as quais o sentimento e as necessidades psicológicas diferenciem-se dos outros cidadãos sem no entanto os excluir de sentir e desfrutar dos valores comuns da sociedade, como foi na Grécia, Roma, Japão e inúmeras sociedades antes da expansão da cultura judaico-cristã.











segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Los Fastidios - "Johnny & The Queer Boot Boys"

Bom, conheci esta banda em uma outra época, mas continuo gostando! (risos)
O que importa nesta musica é a letra que expressa bem o que é a banda para mim:


Johnny & The Queer Boots Boy (tradução)
Uma vida sozinho até o agora
O medo também de si próprio
Não queria sair daquele porta
Sempre fechada até a "curva"
Encontrou a força pra sair do escuro da solidão
Uma banda, o começo verdadeiro entre amigos sem preconceito
Quando entendeu que o diverso não é você, mas as pessoas que não aceitam a liberdade e não entendem o quanto vale a diversidade.
Nessa "plana" sociedade hoje olhe pra trás e veja o desespero daqueles dias negros
Não houve nunca pensado de encontrar os amigos que encontrou
E se olha no espelho e você é orgulhoso de tudo aquilo que faz da força que hoje tem
Oi!oi! você é um de nós porque entendeu que o diverso não é você, mas as pessoas que não aceitam a liberdade e não entendem o quanto vale a diversidade.

O Homem Que Me Complete

É fato, o ser humano não nasceu para viver sozinho. Todos procuramos companhia e alguém para nos completar.
Completar, esta é a palavra...
Numa definição um tanto quanto simplista, completar, seria unir partes que faltam para se formar um todo. Então, o que é o todo?
Num exercício de associação de idéias, a palavra completar nos remete a idéia do colecionismo: completar tarefas, coleções. Desta forma o completar seria unir parte do que falta em um conjunto de coisas iguais.
Voltemos a ideia do homem que nos completa. Seria então o homem alguém com qualidade e defeitos semelhantes a nós mesmos? Temos então uma bela definição romântica!
Então, alguns indivíduos procuram "espartanos" movidos pela idéia de que estes seriam os homem ideiais para um relacionamento "androfilo". A idéia do homem viril, másculo, sem traços do afetamento homosexual seduz muitos "solitários" e os faz buscar entre os espartanos o seu complementar.
Seduções e preferências a parte, é preciso que se entenda que o espartanismo se define por uma série de traços, de comportamentos além da estética. O espartanismo é um modo de vida onde os valores transcendem as simples características físicas, é antes um ideal onde o modelo estético é apenas um modelo, não uma obrigatoriedade ou pré-requisito. É parte de um todo.
O que distingue os espartanos é a diferenciação do modelo e de certos valores difundidos pelo "meio gay", nãos os desmerece porém não os segue por entender incompatíveis com seu modo de viver, seus valores são próprios e procuram simplesmente resgatar os valores guerreiros entre homens que gostam de homens.
O complementar entre espartanos seriam outros indivíduos cujos valores sejam iguais, não discordantes.
Para os que ignoram ou mal entendem a idéia do espartanismo as chances de um relacionamento satisfatório com um espartano seria pequena. Há de se entender que a Fraternidade Espartana não é um grupo de formação de casais, como um site de relacionamentos ou algo parecido. A Fraternidade Espartana é a união de homens que abraçam um único ideal, no esforço de desenvolvimento mútuo.
Os relacionamentos podem e devem acontecer porém não é esse o principal objetivo e nem deve ser este o objetivo de quem procura a nós se unir. O homem que eu procuro é o irmão de idéias e objetivos.
Para os relacionamentos, procuro aqueles que me completem.



O Ser Espartano

Sempre acreditei que o maior problema da juventude "androphila" é a falta de referenciais. Cada um de nós, de uma forma quase instintiva, vamos selecionando ao logo da vida referencia de "o que devemos ser". Quando se toma consciência de sí e de sua sexualidade, ao indivíduo cuja atração sexual é por indivíduos do mesmo sexo,  a sociedade apresenta-lhe modelos distorcidos, muitas vezes caricatos, numa forma de advertência a que sentir dessa forma é tornar-se divertimento para a sociedade. Ser homem e gostar de homem é algo indesejável, engraçado a princípio como o portador do ridículo, aberrativo ao fim como um produto que deu errado pois não cumpre seu principal papel na sociedade que é a construção de uma família e a procriação. Um pai não deseja ter um filho androphilo pois não saberá lidar com isso, não saberá orientar nem apresentar referenciais positivos pois a o senso comum e sua cultura assim o determinam: "homem tem que ser homem e gostar de mulher, casar e ter filhos". O que foge disso é transgressão.
Quando um indivíduo nasce, seja homem ou mulher, é orientado a se tornar o mais proximo de um esteriótipo, homem ou mulher, com suas qualidade ou defeitos. A sociedade é muito eficaz em definir o que espera de um homem e uma mulher: como se vestir, comportar-se...Dentro de uma série de valores porém, a mesma sociedade não está preparada para orientar uma criança androphila.O conceito do "normal" define dois pontos opostos, o homem e a mulher. O homem é a força, a brutalidade, o obtuso; a mulher a delicadesa, a suavidade..., entre esses dois pontos existe uma série de indivíduos cuja classificação é incerta pois reune os defeitos e as qualidades de ambos os sexos, certo? Errado!
Os indivíduos no geral são incapazes de definir ou classificar a grande complexidade do comportamento humano. Um homem pode reunir características femininas e não deixar de ser homem, uma mulher pode ser masculinizada sem deixar de ser mulher. Ao analisarmos essa questão, talvez o que defina o problema seja realmente a questão da sexualidade. A sociedade define o "ser" de cada indivíduo tendo como base o seu relacionamento sexual, um homem é "viado" quando, mesmo tendo todas as características de um esteriótipo masculino relaciona-se intimamente com outro homem, do mesmo modo que a sociedade desconta de censura um homem com aparencia e trejeitos femininos porém casado e pai de família que relaciona-se com uma mulher. Cofusão, o que nos define então?
Por base, os indivíduos são incapazes de classificar os outros indivíduos até que se desvende sua sexualidade. Um homem que age como um homem e relaciona-se com uma mulher é aceitável pois está dentro do que a sociedade judaico-cristã entende como o correto, o que distoa disto é errado e deve ser rejeitado.
Voltando a questão dos referenciais e do "ser espartano", a nossa sociedade ocidental um dia teve esse modelo, perfeitamente aceito. Nas sociedades antigas, e algumas modernas,  existe um referencial aos homens que se relacionam com outros homens sexualmente. Piratas, guerreiros, samurais, por força das condições ou não, entendiam que o relacionamento entre dois homens era algo normal e plenamente aceitável, isto não destituia deles a masculinidade, nem diminuia o seu valor perante a sociedade. Os mais conhecidos desta classe foram os guerreiros espartanos.
Definir-se como "espartano" é entender-se como herdeiro de uma cultura, uma classe de homens que, sem deixar de ser homens, se relacionam afetiva e sexualmente entre sí de forma normal. Como seres humanos, as questões afetivas e eroticas são iguais aos indivíduos do mesmo sexo.