sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Entre a Fé e a Ignorância Humana

Em diversas situações fui condenado ao “fogo do inferno”, até que um dia não liguei mais...
Ora, se está tudo perdido mesmo, porque a luta? Por que continuar lidando com uma força muito mais forte que a minha própria existência física. Afinal de contas, não se pede a um pássaro deixar de ser um pássaro, nem que uma árvore, torne-se um cavalo, saia trotando pelo campo a fora! Idéia absurda... , mesmo dando bom frutos as árvores são lançadas ao fogo!
Se tudo já estava decidido e basta, então alguém havia mentido para mim quando falaram do livre arbítrio. Como se decide em algo já decidido e a qual nossa vontade é inerte? O remédio então era continuar vivendo e pagar a parcela lá na frente se houvesse, afinal, não era mais questão de escolhas nem "opções".  Dessa forma sutil, muitos homens se afastaram das religiões, mas não da idéia da deidade pois, Deus é sentimento, presença inexplicável e não apenas palavras...
Não vejo nada de errado em um homossexual ter fé. Ao longo da vida conheci pessoas incríveis cuja fé, em muito, superavam a de centenas de heterossexuais ditos praticantes. Era uma fé tão poderosa que era capaz de superar inclusive a rejeição das comunidades religiosas e da avalanche de besteiras que teriam o poder – se não fosse a fé – de sufocar e esmagar qualquer  ato de devoção, a acreditar em algo superior que, este sim, já os havia perdoado seja lá do que fosse e era capaz de compreender com profundidade qualquer problema, qualquer pensamento, qualquer ser humano. Afinal de contas, que absurdo seria um homem tentar desvendar os critérios que fazem Deus  glorificar um homem e não outro? Se assim o fosse, que fácil seria criar virtuosos. Estas pessoas, mesmo vivendo o lado perverso e obscuro (e bota obscuro aí!!) das religiões, conservaram fortes o sentimento de fidelidade a Deus por razões que somente eles poderiam explicar ou apenas, sentir.
As vezes observando acho até divertido. Quando se está fora do jogo podemos analisar todos os times e, quando analisamos as religiões e seus membros temos a impressão clara, pensam e agem como aqueles times pequenos, cada qual clamando para si a honra de serem campeões de um campeonato que nem sequer tem data para acontecer. “Somos os melhores” pois temos bons técnicos e artilheiros...”, “Nosso time tem tradição e técnica”, “Nosso time tem raça e humildade para se adaptar a qualquer situação”. Contudo, o Juiz é quem irá decidir, isto lá no final do campeonato. E quantas vezes no campeonato da humanidade o azarão foi o vencedor.
Como um homem racional e que sempre prezo pelo conhecimento histórico, não posso – infelizmente (?) – concordar totalmente com as “verdades absolutas dos fundamentalistas*. As religiões, sejam lá quais foram, erraram, os homens erram e os livros também. Espremer a verdade divina dentro de um livro e julgar que o Criador é imutável é algo que minha compreensão não alcança. Nada na criação divina é imutável, tudo é passível de mudança, de variações infinitas e adaptáveis as demais forças que se cercam e se unem. Plantas, animais, forças da natureza, são criações incontestáveis da criação de Deus e toda essas obras estão em evolução, modificando-se, adaptando-se, inclusive o ser humano. Nem as pedras são imutáveis.
Pesaroso é constatar que a ignorância humana é também mutante, elegendo ao longo da história esta ou aquela vítima para se alimentar do sangue, fechando os olhos às evidencias e só aceitando como verdade aquelas que lhe convêm. O homem em sua insolência sente-se o “procurador” de Deus, aquele que, da posse de um papel se acha capaz de decidir por Deus como se este fosse um incapaz, impossibilitado de decidir sobre o que lhe pertence e de invalidar a autoridade dada ao homem (que assim o pensa...).  Mas, esta historia está longe de chegar ao fim, muita tinta ainda vai ser gasta em textos, jornais, revistas e...livros. 

 "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." - Mateus 7:1-5

*
a)  a inerrância absoluta do texto sagrado;
b) a reafirmação da divindade de Cristo;
c) a proclamação do nascimento virginal de Jesus;
d) a  pregação da morte e ressurreição de Cristo como garantia da redenção universal;
e) a proclamação da ressurreição da carne e a certeza da segunda vinda de Cristo.






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