sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Reflexões Sobre - "No Man´s Land" de Jack Donovan

Em algum momento na evolução da sociedade moderna, os valores relacionados a masculinidade tornaram-se outros daqueles cultivados até então. Na luta por seus direitos, as mulheres aprenderam a valorizar como seus aqueles valores que foram gradativamente deixados pela sociedade masculina, principalmente ao que se refere ao crescimento profissional e status social. Hoje, enquanto muitas garotas dedicam-se desde cedo ao preparo para uma carreira de sucesso e a terem autonomia no rumo de suas próprias vidas, os garotos são estimulados pelos meios de informações diversos a viciarem-se em esportes, pornografia e jogos de vídeo game, isto é o que “um jovem macho normal deve gostar de fazer”.
Existe uma visão diferente entre o que era ser um “bom homem” e o que é ser um “bom homem” nos dias atuais, principalmente olhando sobre o prisma da masculinidade. A atual sociedade determina que o “bom homem” é aquele que tem como interesses: esporte, vídeo games, acessórios eletrônicos, filmes de ação e sexo com muitas mulheres – “coisas de homem”. Desta forma, quando chegam a vida adulta, o acesso e “diversões de garoto” assinalam a sociedade o homem bem sucedido. Não instruem como chegar ao sucesso, nem o prepara, porém o diz o que deve ter e como deve agir quando chegar lá: “como um eterno adolescente que curte seus brinquedos de luxo”. De outro lado a mulher, por força da evolução do pensamento feminista, adquiriu uma noção de que uma “boa mulher” é aquela que trabalha e luta por seus direitos e é capaz de – sem perder a feminilidade – manter-se e criar seus próprios filhos. Para ela o caminho para ser bem sucedida é o trabalho e ela então e incentivada desde jovem pela outras mulheres mais velhas para isso. Em uma família, o papel do homem pode ser facilmente substituído pelo da mulher, assumindo o papel de pai e mãe na educação dos filhos reduz o papel do homem apenas ao comparecimento em sua obrigação do depósito da pensão destinada aos filhos mensalmente.
A crise na identidade masculina se dá desde o início do século XX onde as crises econômicas e as guerras obrigaram os homens a se ausentarem das famílias e dos processos de produção na indústria, papel que foi prontamente assumido pelas mulheres. Sozinhas ou viúvas, aliadas as necessidades da industria, as mulheres substituíram os homens ns atividades de produção e desenvolveram sua independência econômica, e lutaram por tornar-se independentes em outros setores de sua vida.
Os movimentos feministas criaram então uma nova noção do “como o homem deve ser” que em determinados casos chocavam-se de forma contundente aqueles adquiridos em uma forma de educar mais tradicional. Comunidades onde os valores “pro-feministas” foram mais fortemente absorvidos, os indicies de criminalidade, suicídio e tratamentos médicos por doenças psicológicas, entre homens, tornou-se maior, criando uma noção nos ativistas masculinos de que as feministas eram inimigas sociais.  O homem nessas sociedades tornou-se fraco!
Jack Donovan sita uma frase de Obama bin Laden que diz: “Quando uma pessoa vê um cavalo forte e um cavalo fraco, de forma natural irão preferir o cavalo forte” Seriamos então, os homens da atual sociedade, “cavalos fracos”? A masculinidade aos antigos moldes, tornou-se algo indesejável, politicamente incorreto, ícones da masculinidade como John Wayne e o cowboy da Malboro tornaram-se padrões masculinos combatidos pelos grupos “anti-masculinidade” ou “feministas”.
Em contrapartida, há um esforço em substituir o antigo padrão por um outro onde a virtude masculina é demonstrada e controlada através dos esportes como uma válvula de escape a propensão masculina a demonstrações de coragem e agressividade. Uma nova masculinidade pode ser exercida com a mínima destruição através da sublimação em atividades esportivas, seja como praticantes ou torcedores, ou hobies que demandam esforço físico.
Em 1974, a feminista Satzman Chaftez, imaginou uma utopia onde homens e mulheres seriam “andróginos”, suplantando os costumes dos estereótipos. Não mais se considerariam masculinos ou femininos, simplesmente humanos, abandonando as velhas idéias de distinção através dos sexos. Porém, esse “andrógino feminista”, tornou-se uma mulher beligerante e poderosa permitindo-se manter sua distinta identidade sexual e organizando o avanço na conquista de seus próprios interesses como o sexo.
A sociedade industrial moderna também propiciou que se criasse toda uma geração de homens que aprenderam a “sentir primariamente como suas mães” e aprenderam a masculinidade sob o ponto de vista feminino e encontraram-se temerosos e desconfiados de sua própria masculinidade na adolescência e vida adulta. São partes de um crescente grupo de homens criados por mães solteiras.
Homens sempre aprenderam a ser homens através do ensinamento daqueles mais velhos. Distantes dos pais e avôs e de outros potenciais mentores masculinos, cresceram sentindo-se desconfortáveis com sua própria identidade masculina. Eles adaptaram então, como uma forma de modelo, o mito do “homem selvagem”, que luta “selvagemente” contra as forças da natureza e as mudanças da modernidade, porém, nunca usando da crueldade. Em contrapartida a nossa sociedade viu o surgimento do “metrossexual”, o homem vaidoso, consumidor de produtos de luxo e beleza. Este homem cria o seu próprio jeito de ser, usando roupas da moda e atraindo mulheres (ou homens) pela sua aparência numa espécie de demonstração de virilidade (a virilidade do pavão), a beleza masculina, completando esta com sua habilidade de prover-se bem economicamente. Um homem que é mais apaixonado por si mesmo que pelas mulheres.
O que se pode observar hoje, é uma quase inversão da situação de gêneros que se encontrava no início do século XX. Os homens inseguros do que “um homem deve ser” tentam substituir valores para atender as expectativas de uma sociedade atual onde ele mesmo não pode defender seus valores masculinos com a mesma liberdade que as feministas têm em defender livremente seus valores femininos. O homem, ao mesmo tempo em que tem que atender as expectativas das mulheres para a conquista não pode impor as estas suas expectativas em relação a feminilidade sem correr o risco de ser taxado de preconceituoso e ultrapassado. Uma mulher defender os valores femininos é vista com naturalidade, porém um homem defender os valores masculinos soa de mau tom. A “feminilidade” permite que a mulher passe impune em declarações que ofendam o “universo masculino”, porém atacar as conquistas femininas e a feminilidade é reprovável até por outros homens que aprenderam que, mesmo em uma relação de igualdade, a mulher ainda é elemento a ser defendido por virtudes cavalheirescas. Caminhamos então para uma sociedade como a da Lenda das Amazonas da mitologia, matriarcal, onde não há homens, somente “cavalos doentes”, uma terra sem homens ou...terra de ninguém.






quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A Palavra do Mestre

Um valor entre guerreiros que sempre me foi muito caro e aquele que a aplica ao mestre. Entre aqueles que lutam artes marciais, a palavra e a idéia do mestre é algo muito próximo e compreensível, pois o mestre é aquele que tem a generosidade de dividir com seus pupilos, seus alunos, o conhecimento adquirido com anos de esforço, busca contínua, treino e aperfeiçoamento.
Durante o decorrer de nossas vidas encontramos diversos tipos de líderes, porém poucos mestres, pois este nem sempre está à frente a berrar, ele muitas vezes nos acompanha e nos guia ao aperfeiçoamento, de forma singela transmite sua idéia, não às impõe, nos induz a pensar. A reflexão faz a correção e o aperfeiçoamento do ser.
Entre escritores e escritos, tive alguns mestres que influenciaram minha forma de pensar e invariavelmente viver. Maximo Gorki, Jack Kerouack..., cada um desses, através de suas idéias impressas, seus escritos, chegou até mim em diferentes estágios da vida e deixaram uma marca profunda na maneira de entender a mim mesmo e a própria existência.
Entre nós, os Espartanos, há também um mestre, não um mestre religioso, nem um mestre de “artes marciais”, mas um mestre de “idéias”, chama-se Ricardo Liper.
Através de seus escritos é que tomei conhecimento pela primeira vez ao “ideário” espartano. Suas idéias, de forma muito bem fundamentadas, reafirmaram pensamentos e a certeza de que determinados pontos de vista eram compartilhados por outros indivíduos, brasileiros; que o fator da “homossexualidade” poderia ter um outro sentido em uma sociedade de “não programados” apartados dos padrões judaicos cristãos. Ricardo Liper fala em seus escritos sobre um novo homem a quem as neuroses dos “auto-preconceitos” ficam alheias pela certeza de sua normalidade, por saber que existe sobre isso uma tradição comprovada pela historia e que a união prazerosa entre dois homens é característica natural do ser humano.
De forma generosa, muitos de seus trabalhos, estão disponíveis nos sites. A leitura de seus escritos é importante para orientar o homossexual que busca conhecer mais sobre si mesmo e sua historia, esta que se aprofunda no tempo e vai muito além quando a sociedade via a união entre dois homens de forma natural, visão que nossa sociedade um dia há de resgatar.




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sentido de Irmandade

Uma vez falei em um texto sobre a noção de tribo. Da forma que pensam muitas vezes os indivíduos que, dentro de um conceito maior, entendem este mesmo grupo como uma espécie de família.
Não é fácil definir irmandade com uma palavra. Irmandade, na verdade, como idéia, abrange uma extensão bem maior de associações e, na prática, envolvem de forma muito mais profunda indivíduos que dela façam parte.
A idéia fundamental da Sociedade Espartana é a constituição de um grupo de homens que, dentro de um determinado padrão de comportamento e interesses comuns, teriam a função elementar de mutua ajuda. O conceito de mutua ajuda ficaria então sobreposto a todos os outros interesses que viessem fazer parte das intenções do individuo (reafirma-se aqui a individualidade), em prol de ações que pudessem estender seus benefícios a todos os envolvidos, dentro das relações e ações manifestadas pela irmandade. Esta, como instrumento de desenvolvimento humano, teria a função acolhedora e orientativa e não simplesmente, como é erroneamente compreendida, uma união de pessoas em busca de relacionamentos afetivos ou uma espécie de “reunião de solteiros” onde a intenção é a formação de casais. Ao meu ver, a noção principal é a de agregar forças para uma mudança em relação a maneira que a sociedade, numa maior abrangência, lidasse com os assuntos relacionados a “androphilia”.
Espelhando-se no modelo de irmandade praticado por outros grupos de homens, a irmandade Espartana em seu desenvolvimento, cria dispositivos para fortalecer os indivíduos denominados “espartanos”. Aos irmãos cabe o apoio mútuo afim de que cada um possa prosperar e se destacar em sua área de atuação. A idéia de “espartano” deve estar incorporada aos critérios de escolha assim como há entre outras irmandades onde se consome a auxilia-se com a contratação de trabalhos aqueles sob a mesma denominação, a de irmão. Antes de um protecionismo, um fortalecimento para se ter um ideal concretizado; também uma garantia de um tratamento adequado, distinto do tratamento indistinto muitas vezes oferecido na sociedade.
Outro preceito comum às irmandades positivas é um sentido de progresso que se estende a toda sociedade. Considerando-se que a maioria dos “espartanos” tem meios de desenvolver em plenitude trabalhos intelectuais, a “irmandade espartana” deve então oferecer meios para que o desenvolvimento nesse sentido se desenvolva entre os seus membros. Creio que o ideal é que a noção de “intelectualidade” esteja a futuro relacionada a idéia do “indivíduo espartano”.
O que deve haver entre nós e aqueles que buscam o nosso ideal é a coragem de desvencilhar-se dos interesses imediatistas e limitados de supor que uma irmandade formada por andróphilos tem como objetivo primeiro a satisfação individual de relações afetivas; os espartanos devem ter em mente que a vida de um homem abarca muito mais que suas relações afetivas e que relações de afetos não passam necessariamente pela cama.
Objetivo é manter o senso de família – por isso irmandade – ao andróphilo, um grupo de pessoas onde possa manifestar-se de forma a ser compreendido, a poder contar com os companheiros e sua cooperação como reais irmãos. Irmãos de um mesmo ideal.





sábado, 3 de novembro de 2012

O Caminho do Homem ("The Way of Man") – Reaprender a ser homem?

Reflexão sobre a obra: “The Way of Man” - Jack Donovan

Diversas são as análises que podem ser feitas a partir dos escritos de Donovan, porém uma verdade incontestável é que muitos dos conceitos por ele relacionados estão diretamente ligados a formas de pensar já experimentadas pela maior parte de nós. O grande questionamento é exatamente o que o próprio título da obra nos traz “The Way of Man” ou O Caminho do Homem...
Qual o caminho do homem? O ponto central da reflexão se faz na maneira a qual a sociedade moderna distorce ou substitui pelos mais diversos motivos, os caminhos trilhados pelo homem, ou melhor, que o indivíduo do sexo masculino percorre para se tornar um homem. O que antes era ensinado como um valor partilhado por membros do mesmo sexo em uma pequena comunidade, nos dias de hoje se perde ou se perverte em valores nem sempre tidos como viris. O que antes era virtude deixa de ser aos olhos da “civilidade”.
Para esse problema, Donovan nos propõe a análise do que ele chama de “valores estratégicos”, um conjunto de valores que devem ser cultivados para que um homem seja considerado realmente como um homem, seja pelos seus pares ou pela sociedade em geral.
Os valores são:
Força
Força física, tida como um fator preponderante na evolução da espécie e como fator elementar para que o indivíduo desempenhe com sucesso as funções até então tidas como de propriedade masculina. Força é a chave para a afirmação do poder!
“Sem a força a masculinidade se torna qualquer outra coisa – um conceito diferente”
Define força como uma qualidade masculina, geneticamente definida por fatores biológicos e reconhecidos, independentemente da cultura, como característica de masculinidade. Admite-se uma mulher forte, porém não é objeto de admiração um homem fraco.
Analisando ainda a força como fator biológico, as diferenças hormonais entre homens e mulheres está intimamente ligada. As relações de força e desenvolvimento muscular estão diretamente ligadas a quantidade de hormônio masculino – testosterona – no indivíduo. Quanto maior a quantidade desse hormônio no organismo de um ser humano, este ira apresentar suas características masculinas mais reforçadas. Mulheres fisiculturistas geralmente apresentam grande quantidade de hormônio masculino em seu organismo e tornam-se “masculinizadas” por força desses fatores. A mulher o que reforça sua feminilidade é a fragilidade.
O fator força – entenda-se aqui força física – está também ligado ao exercício do poder. Primitivamente aquele que se apresenta maior força como um poder de pressão sobre os adversários assumiam os papeis dominantes na sociedade.
“A experiência de ser macho é a de ter grande força, e a força precisa ser exercitada  e demonstrada para ter algum valor. Quando um homem não pode exercer  sua força ou deixa de usá-la, a força torna-se decorativa e sem valor”.

Coragem
Donovam coloca a coragem ao lado da força entre as virtudes masculinas. Coragem em sua definição seria a vontade de colocar a própria integridade em beneficio próprio ou de um grupo. Na antiguidade era uma virtude essencial para os guerreiros, porém na atualidade o homem tem poucas oportunidades de demonstrá-la.
“Para se obter a essência do que realmente é masculinidade, vamos remover a polidez  da moralidade e da nobreza por um momento. Neste momento e que acredito que alguns homens demonstrem tendências ao heroísmo em um nível quase instintivo”.
Coragem é o triunfo sobre o medo. A demonstração de coragem pode ser medida pelo enfrentamento dos próprios temores. O mais alto grau de coragem é aquela que lhe dá poder de enfrentar a própria morte.
“Coragem é a vontade de correr riscos, a fim de beneficiar-se ou a outros. Na sua forma mais simples e amoral, a coragem é uma vontade ou desejo apaixonado de lutar ou manter o terreno a qualquer custo (esportismo, “coração”, “espírito”, thunos)... Na forma mais desenvolvida de coragem, civilizada e moral, é o desejo ponderado e decisivo  em arriscar-se ao dano a fim de garantir o sucesso ou a sobrevivência de um grupo ou outra pessoa (coragem, virtude, andreia).

Maestria
Partindo-se do suposto de que um homem, em plena posse de suas capacidades físicas e mentais, ao tornar-se adulto, dever ser capaz de manter-se a si próprio, garantir sua subsistência. A auto-suficiência em manter-se não equivale dizer que o mesmo homem não é interdependente de outras pessoas. O homem aceita então ser interdependente de outros, mas não completamente dependente. Esta interdependência se mantém na compreensão de que a subsistência do grupo depende das habilidades conjuntas dos vários indivíduos que o compõe.
Define-se como maestria a capacidade de desenvolver e apresentar habilidades úteis nas mais diversas situações. A maestria torna-se um fator compensatório a falta de outras habilidades, pois é através dela que os homens se tornam capazes de criar entre pessoas e ferramentas, extensões de si mesmo. Garantindo com essas habilidades o seu valor dentro de um grupo.
“Maestria é o desejo humano e habilidade de cultivar e demonstrar conhecimento e experiência em técnicas que lhe garantam sobrepor seus desejos sobre si mesmo, sobre a natureza, sobre a mulher e sobre outro homem”

Honra
 A honra é talvez o mais complexo dos valores a serem cultivados pelos homens, pois não depende apenas da vontade única do indivíduo, mas está vinculada a visão que a própria sociedade o faz do mesmo. As definições de honra são relativas de grupo para grupo, mas de uma forma generalista, seria a capacidade de atender as expectativas de um grupo quanto a manutenção de valores cultivados ao longo do tempo, das tradições.
A honra tem haver com aquilo que outro homem pensa de você. Um homem que não importa com o que dizem de si, não tem honra...
A honra é a reputação de coragem de um homem, força e domínio no contexto de um grupo composta pelo que entendem por honra principalmente de outros homens


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Dessa forma,fica fácil entender o que é a desonra para um homem:
Um conjunto de qualidade faz um homem honrado, a falta dessas qualidades traz o indesejado e a desonra...
Dentro de um conceito de grupo masculino, no que tange o manter dos costumes entendidos como masculinos:
“Desonra é deslealdade” – pessoa torna-se não confiável
Torna-se não confiável porque “dá as costas” aos valores mantidos pelo grupo, abalando sua segurança dentro daquilo que entende como verdadeiro e ideal ao homem. Dessa forma:
O repúdio aos homossexuais ou quem o grupo percebe ser homossexual é geralmente justificado através do apelo para as leis divinas ou naturais. Com essa manobra  absolvem-se os homens de responsabilidade da crueldade social aos membros da sua própria tribo. Quando os homens rejeitam homens afeminados, o que eles estão rejeitando na verdade , lançando-os para fora como uma forma de limpeza  da colônia, são os próprios homens que carregam consigo seu estigma corrosivo”.

A “corrosão” dos costumes pode abalar a sociedade masculina. Entendem o homossexual como uma ameaça a honra do grupo, ja que entende-se como sendo um homem que tem por valores pessoais aqueles pertencentes as mulheres.

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A Corrosão dos Costumes e a Perda da Identidade Masculina

Através do afastamento por parte do indivíduo dos antigos costumes entendidos pela atual sociedade como primitivos, existe um esforço por parte da sociedade ao que chamamos de civilização. Fatores que antes eram tidos como valores viris e “do homem” hoje são vistos como fatores demonstrativos de incivilidade e são combatidos.
Para satisfazer os instintos humanos desenvolvidos em milênios de evolução, a sociedade atual busca substituir ou sublimar dos agrupamentos de homens os valores associados as habilidade de caça, guerra e capacidade de preservação de seus genes através da conquista das “fêmeas”. O novo homem então trilha um novo caminho e nesse novo caminho se aproximam as características que definiam socialmente o que era um homem e uma mulher. O homem deixou de saber o que significa ser um homem, quais as características definem um homem além dos fatores genéticos. O indivíduo masculino, inserido na moderna sociedade, agoniza e tenta reaprender a ser homem.










sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Humor Barato x Ética

Indo trabalhar, lá pelas 7 da manhã, naquele horário onde quase toda irritação do mundo se concentra em coisas pequenas, o motorista do ônibus sintonizou o rádio em uma daquelas estações típica dos idiotas. Somente a falta de informação, a ignorância em sua forma mais bruta pode justificar a preferência por programas onde as pessoas ligam para serem esculhambadas... enfim, o mundo não é perfeito!
Irritações a parte o ponto da questão é que lá estavam berrando um ou dois radialistas, escachando com um apresentador de televisão; a todo o instante o radialista que comandava a balburdia auditiva repetia:
O que vc é mesmo Sr. Fulano?
Então aparecia a voz do próprio apresentador falado; “Bicha”!!!!!
E explodiam-se risadas...
Vale então lembrar que “bicha” no “palavrório popular” serve para referir-se de forma a menosprezar o indivíduo homossexual, logo, ao achar graça no “ser bicha do apresentador”, acha-se motivo de graça a “homossexualidade”.
Absurdos a parte, acho que todo mundo tem a opção de escolher aquilo que quer consumir. Cultura nunca foi questão de dinheiro (cultura folclórica, cultura naif, cultura circense...), e acesso a coisas boas nunca dependeu necessariamente de riqueza. São questões de escolha. Porém, um dia, em situações como esta, você também tem que engolir a sua colherada de merda! Ouvir quase que obrigado um programa de péssima qualidade.
Desde minha infância tenho visto uma mudança significativa na forma de lidar com o humor. Questões de censura, questões do “politicamente correto”, questões de escolhas. Vale lembrar que antes de tudo, em qualquer profissão existem as questões de ética; a ética profissional não permite que se trate de forma desigual os indivíduos nem se desrespeite qualquer ser humano em sua condição de “ser humano”, isto é, imperfeições, diferenças, particularidades. O humor dever ser feito com inteligência, sem apelo ofensivo as minorias, deve ter graça pela situação incomum e não pela ridicularizarão do indivíduo a ponto da humilhação.
Quando se chama o apresentador de “bicha”, mesmo que por brincadeira, a mensagem é a de que por ser “bicha” – homossexual afeminado – torna-se permitido servir de ridículo pelas pessoas que se consideram “normais”: “Vamos rir da Bicha”! Quando se permite rir da “bicha do apresentador” também se dá carta branca para rir de qualquer pessoa identificável como “bicha”, é aí que se inicia o problema. Quando o próprio “bicha” ri do “bicha”, isso se torna triste.
Não ouvirei mais aquela rádio, pelo mesmo motivo que desligo a televisão em determinados programas. Acho que é a maior forma de protesto que está ao alcance de um indivíduo. Esta rádio, naquele dia, perdeu para sempre um ouvinte, um consumidor para seus anunciantes, um patrocinador e participantes para seus eventos. Esse é meu protesto.






"Blood-Brotherhood And Other Rites of Male Alliance" (Irmandade de Sangue e de outros ritos da Aliança Masculina), de Jack Donovan e Nathan F. Miller.

Não é possível compreender a amplitude que a influência dos rituais exercem dentro de nossa sociedade, principalmente dentro de grupos distintos inseridos nesta mesma sociedade moderna. O fato é que talvez esses rituais sirvam, de alguma forma, como um tutor que direciona indivíduos a seguir determinados padrões de comportamento, ou orientá-los a outros tantos comportamentos dentro de limites estabelecidos como posições hierárquicas, idade, etc... Dessa forma, a sociedade moderna converte, ou inverte, rituais antigos para sinalizar seus próprios usos: pintura facial e o raspar de cabelos dos que passam no vestibular, simulações de brigas entre companheiros de artes marciais, brincadeiras jocosas em festas de despedida de solteiros. Os rituais fazem parte do espírito humano. Por fim, as variações infindáveis das cerimônias matrimoniais, com variações muito pequenas entre as mais diversas religiões que têm um único núcleo que é a união homem e mulher, para fim de procriação.
Evolução! A sociedade hoje admite a união entre duas pessoas do mesmo sexo... mas, espere, isso já era feito antes! Houve um tempo em que homens estabeleciam entre si alianças com o próprio sangue!
No Brasil atual, indivíduos do mesmo sexo oficializam seu compromisso de vida a dois através de uma “união estável” e celebram este momento da vida, entre amigos e parentes numa espécie de cerimônia aos moldes dos casamentos judaicos-cristãos. Utilizando um modelo inapropriado de ritual de união, para homens, cria-se a falsa idéia de que existe nessa união uma desigualdade de posições subtendendo-se que um dos companheiros abre mão de seu papel masculino para ser o feminino, assumindo os deveres de “esposa”. Assim, não existe uma relação de equivalência onde os dois companheiros são vistos de forma igual, como homens, complementares, porém com o mesmo valor na vida a dois.
Espartanos, temos como um dos princípios fundamentais o restabelecimento da masculinidade, a valorização da virilidade aos indivíduos que tem como orientação o desejo por indivíduos do mesmo sexo; seria incoerente estabelecer então, num ritual de união, qualitativos femininos a um dos membros de um “casal de homossexuais”. Aqui ambos os atores tem o mesmo papel, o mesmo peso, a mesma medida, são homens e os papeis em sua intimidade - numa visão comum - são “relativos” e nem sempre permanecem os mesmo durante um relacionamento.
Nathan F. Miller e Jack Donovan, em seu livro “Blood Brotherhood and Other Rites of Male Aliance”, nos propõe um novo modelo de união ente “andróphilos”. Através de uma compilação de contos, evidências histórias e fatos antropológicos tentam resgatar à união entre homens o antigo ritual das “irmandades de sangue”. Passando por temas recolhidos de registros ao redor do mundo como: “Saga de Volsunga”, “Lenda de Odin e Loki”, “Irmãos dos Três Juramentos”, “Épico de Gilgamesh”, “Fei Wei e Chi Ch´ang”... O livro torna-se um maravilhoso documento a quem busca entender e explicar a força da união entre homens em laços, que envolvem a afetividade e superam os simples acordos de cavaleiros. Uma forma ideal de união em um laço de compromisso como ao dos rituais de casamento.
A união de sangue entre homens sem laços de parentesco, ao longo da história, tem servido como uma forma de afirmar às sociedades que entre eles existe um compromisso de honra acima de qualquer adversidade ou eventualidade, capaz de superar até mesmo os laços consanguíneos e os rituais matrimoniais entre homens e mulheres. Adotar um ritual de sangue, como forma de união entre dois homens, selaria de forma histórica e universal tradicional o compromisso entre dois homens, onde os valores masculinos estão intrínsecos e compartilhados: virilidade e honra, coragem, compromisso de defender o companheiro, como aos antigos guerreiros. Homens unidos como homens num acordo mútuo de cooperação e respeito.