sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Reflexões Sobre - "No Man´s Land" de Jack Donovan

Em algum momento na evolução da sociedade moderna, os valores relacionados a masculinidade tornaram-se outros daqueles cultivados até então. Na luta por seus direitos, as mulheres aprenderam a valorizar como seus aqueles valores que foram gradativamente deixados pela sociedade masculina, principalmente ao que se refere ao crescimento profissional e status social. Hoje, enquanto muitas garotas dedicam-se desde cedo ao preparo para uma carreira de sucesso e a terem autonomia no rumo de suas próprias vidas, os garotos são estimulados pelos meios de informações diversos a viciarem-se em esportes, pornografia e jogos de vídeo game, isto é o que “um jovem macho normal deve gostar de fazer”.
Existe uma visão diferente entre o que era ser um “bom homem” e o que é ser um “bom homem” nos dias atuais, principalmente olhando sobre o prisma da masculinidade. A atual sociedade determina que o “bom homem” é aquele que tem como interesses: esporte, vídeo games, acessórios eletrônicos, filmes de ação e sexo com muitas mulheres – “coisas de homem”. Desta forma, quando chegam a vida adulta, o acesso e “diversões de garoto” assinalam a sociedade o homem bem sucedido. Não instruem como chegar ao sucesso, nem o prepara, porém o diz o que deve ter e como deve agir quando chegar lá: “como um eterno adolescente que curte seus brinquedos de luxo”. De outro lado a mulher, por força da evolução do pensamento feminista, adquiriu uma noção de que uma “boa mulher” é aquela que trabalha e luta por seus direitos e é capaz de – sem perder a feminilidade – manter-se e criar seus próprios filhos. Para ela o caminho para ser bem sucedida é o trabalho e ela então e incentivada desde jovem pela outras mulheres mais velhas para isso. Em uma família, o papel do homem pode ser facilmente substituído pelo da mulher, assumindo o papel de pai e mãe na educação dos filhos reduz o papel do homem apenas ao comparecimento em sua obrigação do depósito da pensão destinada aos filhos mensalmente.
A crise na identidade masculina se dá desde o início do século XX onde as crises econômicas e as guerras obrigaram os homens a se ausentarem das famílias e dos processos de produção na indústria, papel que foi prontamente assumido pelas mulheres. Sozinhas ou viúvas, aliadas as necessidades da industria, as mulheres substituíram os homens ns atividades de produção e desenvolveram sua independência econômica, e lutaram por tornar-se independentes em outros setores de sua vida.
Os movimentos feministas criaram então uma nova noção do “como o homem deve ser” que em determinados casos chocavam-se de forma contundente aqueles adquiridos em uma forma de educar mais tradicional. Comunidades onde os valores “pro-feministas” foram mais fortemente absorvidos, os indicies de criminalidade, suicídio e tratamentos médicos por doenças psicológicas, entre homens, tornou-se maior, criando uma noção nos ativistas masculinos de que as feministas eram inimigas sociais.  O homem nessas sociedades tornou-se fraco!
Jack Donovan sita uma frase de Obama bin Laden que diz: “Quando uma pessoa vê um cavalo forte e um cavalo fraco, de forma natural irão preferir o cavalo forte” Seriamos então, os homens da atual sociedade, “cavalos fracos”? A masculinidade aos antigos moldes, tornou-se algo indesejável, politicamente incorreto, ícones da masculinidade como John Wayne e o cowboy da Malboro tornaram-se padrões masculinos combatidos pelos grupos “anti-masculinidade” ou “feministas”.
Em contrapartida, há um esforço em substituir o antigo padrão por um outro onde a virtude masculina é demonstrada e controlada através dos esportes como uma válvula de escape a propensão masculina a demonstrações de coragem e agressividade. Uma nova masculinidade pode ser exercida com a mínima destruição através da sublimação em atividades esportivas, seja como praticantes ou torcedores, ou hobies que demandam esforço físico.
Em 1974, a feminista Satzman Chaftez, imaginou uma utopia onde homens e mulheres seriam “andróginos”, suplantando os costumes dos estereótipos. Não mais se considerariam masculinos ou femininos, simplesmente humanos, abandonando as velhas idéias de distinção através dos sexos. Porém, esse “andrógino feminista”, tornou-se uma mulher beligerante e poderosa permitindo-se manter sua distinta identidade sexual e organizando o avanço na conquista de seus próprios interesses como o sexo.
A sociedade industrial moderna também propiciou que se criasse toda uma geração de homens que aprenderam a “sentir primariamente como suas mães” e aprenderam a masculinidade sob o ponto de vista feminino e encontraram-se temerosos e desconfiados de sua própria masculinidade na adolescência e vida adulta. São partes de um crescente grupo de homens criados por mães solteiras.
Homens sempre aprenderam a ser homens através do ensinamento daqueles mais velhos. Distantes dos pais e avôs e de outros potenciais mentores masculinos, cresceram sentindo-se desconfortáveis com sua própria identidade masculina. Eles adaptaram então, como uma forma de modelo, o mito do “homem selvagem”, que luta “selvagemente” contra as forças da natureza e as mudanças da modernidade, porém, nunca usando da crueldade. Em contrapartida a nossa sociedade viu o surgimento do “metrossexual”, o homem vaidoso, consumidor de produtos de luxo e beleza. Este homem cria o seu próprio jeito de ser, usando roupas da moda e atraindo mulheres (ou homens) pela sua aparência numa espécie de demonstração de virilidade (a virilidade do pavão), a beleza masculina, completando esta com sua habilidade de prover-se bem economicamente. Um homem que é mais apaixonado por si mesmo que pelas mulheres.
O que se pode observar hoje, é uma quase inversão da situação de gêneros que se encontrava no início do século XX. Os homens inseguros do que “um homem deve ser” tentam substituir valores para atender as expectativas de uma sociedade atual onde ele mesmo não pode defender seus valores masculinos com a mesma liberdade que as feministas têm em defender livremente seus valores femininos. O homem, ao mesmo tempo em que tem que atender as expectativas das mulheres para a conquista não pode impor as estas suas expectativas em relação a feminilidade sem correr o risco de ser taxado de preconceituoso e ultrapassado. Uma mulher defender os valores femininos é vista com naturalidade, porém um homem defender os valores masculinos soa de mau tom. A “feminilidade” permite que a mulher passe impune em declarações que ofendam o “universo masculino”, porém atacar as conquistas femininas e a feminilidade é reprovável até por outros homens que aprenderam que, mesmo em uma relação de igualdade, a mulher ainda é elemento a ser defendido por virtudes cavalheirescas. Caminhamos então para uma sociedade como a da Lenda das Amazonas da mitologia, matriarcal, onde não há homens, somente “cavalos doentes”, uma terra sem homens ou...terra de ninguém.






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