sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"Blood-Brotherhood And Other Rites of Male Alliance" (Irmandade de Sangue e de outros ritos da Aliança Masculina), de Jack Donovan e Nathan F. Miller.

Não é possível compreender a amplitude que a influência dos rituais exercem dentro de nossa sociedade, principalmente dentro de grupos distintos inseridos nesta mesma sociedade moderna. O fato é que talvez esses rituais sirvam, de alguma forma, como um tutor que direciona indivíduos a seguir determinados padrões de comportamento, ou orientá-los a outros tantos comportamentos dentro de limites estabelecidos como posições hierárquicas, idade, etc... Dessa forma, a sociedade moderna converte, ou inverte, rituais antigos para sinalizar seus próprios usos: pintura facial e o raspar de cabelos dos que passam no vestibular, simulações de brigas entre companheiros de artes marciais, brincadeiras jocosas em festas de despedida de solteiros. Os rituais fazem parte do espírito humano. Por fim, as variações infindáveis das cerimônias matrimoniais, com variações muito pequenas entre as mais diversas religiões que têm um único núcleo que é a união homem e mulher, para fim de procriação.
Evolução! A sociedade hoje admite a união entre duas pessoas do mesmo sexo... mas, espere, isso já era feito antes! Houve um tempo em que homens estabeleciam entre si alianças com o próprio sangue!
No Brasil atual, indivíduos do mesmo sexo oficializam seu compromisso de vida a dois através de uma “união estável” e celebram este momento da vida, entre amigos e parentes numa espécie de cerimônia aos moldes dos casamentos judaicos-cristãos. Utilizando um modelo inapropriado de ritual de união, para homens, cria-se a falsa idéia de que existe nessa união uma desigualdade de posições subtendendo-se que um dos companheiros abre mão de seu papel masculino para ser o feminino, assumindo os deveres de “esposa”. Assim, não existe uma relação de equivalência onde os dois companheiros são vistos de forma igual, como homens, complementares, porém com o mesmo valor na vida a dois.
Espartanos, temos como um dos princípios fundamentais o restabelecimento da masculinidade, a valorização da virilidade aos indivíduos que tem como orientação o desejo por indivíduos do mesmo sexo; seria incoerente estabelecer então, num ritual de união, qualitativos femininos a um dos membros de um “casal de homossexuais”. Aqui ambos os atores tem o mesmo papel, o mesmo peso, a mesma medida, são homens e os papeis em sua intimidade - numa visão comum - são “relativos” e nem sempre permanecem os mesmo durante um relacionamento.
Nathan F. Miller e Jack Donovan, em seu livro “Blood Brotherhood and Other Rites of Male Aliance”, nos propõe um novo modelo de união ente “andróphilos”. Através de uma compilação de contos, evidências histórias e fatos antropológicos tentam resgatar à união entre homens o antigo ritual das “irmandades de sangue”. Passando por temas recolhidos de registros ao redor do mundo como: “Saga de Volsunga”, “Lenda de Odin e Loki”, “Irmãos dos Três Juramentos”, “Épico de Gilgamesh”, “Fei Wei e Chi Ch´ang”... O livro torna-se um maravilhoso documento a quem busca entender e explicar a força da união entre homens em laços, que envolvem a afetividade e superam os simples acordos de cavaleiros. Uma forma ideal de união em um laço de compromisso como ao dos rituais de casamento.
A união de sangue entre homens sem laços de parentesco, ao longo da história, tem servido como uma forma de afirmar às sociedades que entre eles existe um compromisso de honra acima de qualquer adversidade ou eventualidade, capaz de superar até mesmo os laços consanguíneos e os rituais matrimoniais entre homens e mulheres. Adotar um ritual de sangue, como forma de união entre dois homens, selaria de forma histórica e universal tradicional o compromisso entre dois homens, onde os valores masculinos estão intrínsecos e compartilhados: virilidade e honra, coragem, compromisso de defender o companheiro, como aos antigos guerreiros. Homens unidos como homens num acordo mútuo de cooperação e respeito.





 

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