domingo, 26 de maio de 2013

Oi nóis aqui traveis!!

Depois de um longo tempo sem postar nada por aqui, estou de volta. Por vezes precisamos fazer uma longa viagem de volta em nossa trajetória e revirar a terra de nossas raízes.
Parte do que sou e penso está fundamentado lá atrás, na origem rueira em que nos orgulhamos todos de ser uma espécie de antídoto social, protestando e lutando diretamente contra aqueles que tentam reprimir nossa forma de viver. Essas raízes nem sempre se satisfaz com as idéias mas alimenta-se das ações pois todos acreditamos que os sonhos na vida real se transformam em pedras e tijolos que devem ser ordenados e empilhados um a um na construção de um futuro melhor, a concretude da vida.
A distancia nos faz reavaliar as idéias, rever as pessoas e traçar um objetivo mais lúcido. Sempre tive fé que um dia os “espartanos” se uniriam em algo maior. Numa espécie de irmandade onde nenhum de nós se sentiria mais só, um dom reservados apenas aqueles das chamadas “sub-culturas”.
Que as boas coisas se mantenham e se descartem as ruins, que o homossexual brasileiro finalmente aprenda a viver de forma orgulhosa, não o orgulho de uma turba confusa que adota como valores aquilo que todo o restante da sociedade repudia, mas uma irmandade orgulhosa de sua masculinidade, de sua capacidade de reagir frente a incompreensão da sociedade, frente o escarno e as teoria absurda dos fundamentalistas religiosos, uma irmandade de pessoas que conhecem seu lugar e importancia na sociedade, que tem o poder e a vontade de lutar por aquilo que acredita.
Nesta jornada de volta, pude ver e reconhecer muitos potenciais espartanos que construíram seu caminho longe do “meio gay”, colocaram-se entre os outros através da demonstração de seu caráter e por meio dele adquiriram o respeito dos demais, conheci muito gente que na sua homossexualidade se colocam na linha de frente nas ruas e provam aos incrédulos que um homossexual também pode ser um guerreiro e lutar ombro a ombro com aqueles que protestam. O verdadeiro espartano é o guerreiro, não basta apenas ser um “gay discreto sem afetamentos”. Inseris-se em parte daquilo que se rejeita torna toda palavra inválida.
Vamos continuar daqui nossa caminhada...
Vida longa!! Haroo!!


Fundamentalismo Religioso é o Caralho!!


Fundamentalismo religioso é uma merda, é como tentar reconstruir a antiguidade ignorando toda a evolução da humanidade...e olha o quanto essa humanidade se esforçou pra chegar até aqui! É ignorar toda a evolução histórica da sociedade, todas as conquistas da ciência, todos os mártires da liberdade...e cuspir na cara de Cronus!
O mais espantoso no Fundamentalismo religioso é a capacidade de seus adeptos de aceitar mentiras como verdades absolutas pois, excetuando-se alguns poucos, a grande maioria faz uma seleção de interesses naquilo que deve ou não seguir. O que não me interessa, o Livro Sagrado condena, mas o que me interessa, mesmo condenado, eu ignoro...E você sabe que Deus sempre perdoa a ignorância, afinal de contas: Senhor, perdoai, eles não sabem o que fazem...” Será?
O fato é que a ignorância cresce como o mofo em paredes úmidas, se espalha, destrói, deixa tudo feio. No Brasil, religiões fundamentalistas se proliferam como o mais novo e lucrativo negócio do charlatanismo contemporâneo. Líderes escolhidos por Deus, recebem no seu “kit de trabalho” os dons de Salomão de escravizar os demônios e enriquecer a bandeiras despregadas..., e a inteligência, bom...malandragem também é uma espécie de inteligência. Poxa, num lembro, quem foi mesmo que disse que: “Daí a Cezar o que é de Cezar”? Enfim, não importa, os dons são dados aos merecedores do amor divino...Então, dentro dessa coerência, só haveria viado pobre, não é mesmo?
Ah, ta, Deus ama a todos, aos bandidos, aos assassinos, aos homossexuais...
Meu temor, no entanto, é que esse fundamentalismo em um futuro não muito distante transforme nosso país num grandioso “Salém” onde a nova inquizição fará uma festa mandando pra fogueira novos pecadores! Afinal de contas, “viado” e bruxo tão ali, juntinhos...adeptos da luxuria, das vaidades, agridem ao “Novo Senhor” que fez dos “escolhidos” uma manada de acéfalos de pernas peludas e ternos deselegantes das lojas de departamento, somente a falta de vaidade explicaria tanta falta de asseio e cafonice Viver para Deus é viver na fé, e viver na fé é não questionar; mas é não questionar a sabedoria divina, não fala nada sobre a frágil e limitada sabedoria humana dos seus líderes. Ainda bem que Lutero, aquele santo homem sabia disso, traduziu a Bíblia e deu na mão do homem do povo, pra que ele pudesse aprender e questionar, e entender que a verdade que lhe contavam não era a verdade de Deus. Ainda bem que São Francisco, aquele santo homem, também sabia disso e fez o próprio Papa envergonhar-se de sua riqueza. Ahhh, se Jesus não tivesse perdoado Maria Madalena!
Enfim, Fundamentalismo religioso é uma merda, é fruto da limitação cultural e a incapacidade mental de adaptar as heranças culturais, as escrituras sagradas à realidade atual; é uma espécie de escapismo para um tempo onde os ignorantes dominavam a Terra... Opa! Será que os ignorantes estão novamente dominando a Terra? Salvem os bárbaros!
E como dizia a velha canção: “E o alienado, de braços cruzados...”!


A Colônia

Gosto muito de falar do interior porque também sou interiorano. Nasci e vivo no interior porém, mesmo com toda a idade que o tempo me deu, ainda há coisas que não consigo compreender.
Nas pequenas cidades os jovens costumam se reunir em pequenos grupos, um pequeno cosmos de afinidades onde os poucos sonham em se unir aos muitos da capital. Comparo aquele pequeno cosmos como um aquário, pequeno, artificial, onde se está constantemente observado. Qualquer anormalidade é logo notada e os mais fortes comumente devoram os pequenos. Enfim, quando o “peixe” cresce, ou morre sufocado ou migra para o rio, lá vai o caipira para as capitais...Porém isso aí é uma outra historia...
Voltando ao interior, as pracinhas tornam-se os lugares de convívio dos jovens, a polariação entre os jovens héteros e os “outros” é fortemente sentida, e os homossexuais tem logo duas opções, ou assumem a sexualidade e juntam-se a rapaziada afeminada dos “divertidos” da cidade ou optam por fugir para as cidades maiores mais próximas onde terão sua sexualidade explorada em segredo, traquilos em, dessa forma, pouparem-lhe o peso de  serem julgado por seus familiares aguçados pelas tradições viris dos antigos campesinos. Desulpas como a falta de oportunidades de emprego ou estudo dão o álibi necessário a esse êxodo.
Falta-me compreensão para entender o que realmente poderia motivar uma mudança de mentalidade nessas pequenas cidades. Levando-se em conta que nesses pequenos grupos a historia dos indivíduos e facilmente conhecida, esta mesma historia deveria fortalecer a compreensão que o indivíduo homossexual não é um produto falho da sociedade, mas algo natural e que se desenvolve em qualquer grupo. O entrelaçamento das famílias deveria fazer com que estes indivíduos tivessem uma vida muito mais normal, muito mais sociável do que aqueles da capital onde a desumanizasão torna todos anônimos e alimenta julgamentos superficiais pelo desconhecimento de suas origens. No entanto é o contrário, e mais uma vez, os ciclos de migração dos homossexuais se repetem. Prevalecendo sobre a máscara do tradicionalismo, a brutalidade contra o homossexual é cultivada entre os interioranos como um fator de virilidade, principalmente os jovens homossexuais acordam um dia e vêm que não tem mais espaço no local onde nasceram. Não compreendo o quão cego pode se tornar nosso povo interiorano, sempre tão ansioso pelo progresso,  a não perceber que do progresso também faz parte o abandono a tradições ou costumes ultrapassados.