domingo, 26 de maio de 2013

A Colônia

Gosto muito de falar do interior porque também sou interiorano. Nasci e vivo no interior porém, mesmo com toda a idade que o tempo me deu, ainda há coisas que não consigo compreender.
Nas pequenas cidades os jovens costumam se reunir em pequenos grupos, um pequeno cosmos de afinidades onde os poucos sonham em se unir aos muitos da capital. Comparo aquele pequeno cosmos como um aquário, pequeno, artificial, onde se está constantemente observado. Qualquer anormalidade é logo notada e os mais fortes comumente devoram os pequenos. Enfim, quando o “peixe” cresce, ou morre sufocado ou migra para o rio, lá vai o caipira para as capitais...Porém isso aí é uma outra historia...
Voltando ao interior, as pracinhas tornam-se os lugares de convívio dos jovens, a polariação entre os jovens héteros e os “outros” é fortemente sentida, e os homossexuais tem logo duas opções, ou assumem a sexualidade e juntam-se a rapaziada afeminada dos “divertidos” da cidade ou optam por fugir para as cidades maiores mais próximas onde terão sua sexualidade explorada em segredo, traquilos em, dessa forma, pouparem-lhe o peso de  serem julgado por seus familiares aguçados pelas tradições viris dos antigos campesinos. Desulpas como a falta de oportunidades de emprego ou estudo dão o álibi necessário a esse êxodo.
Falta-me compreensão para entender o que realmente poderia motivar uma mudança de mentalidade nessas pequenas cidades. Levando-se em conta que nesses pequenos grupos a historia dos indivíduos e facilmente conhecida, esta mesma historia deveria fortalecer a compreensão que o indivíduo homossexual não é um produto falho da sociedade, mas algo natural e que se desenvolve em qualquer grupo. O entrelaçamento das famílias deveria fazer com que estes indivíduos tivessem uma vida muito mais normal, muito mais sociável do que aqueles da capital onde a desumanizasão torna todos anônimos e alimenta julgamentos superficiais pelo desconhecimento de suas origens. No entanto é o contrário, e mais uma vez, os ciclos de migração dos homossexuais se repetem. Prevalecendo sobre a máscara do tradicionalismo, a brutalidade contra o homossexual é cultivada entre os interioranos como um fator de virilidade, principalmente os jovens homossexuais acordam um dia e vêm que não tem mais espaço no local onde nasceram. Não compreendo o quão cego pode se tornar nosso povo interiorano, sempre tão ansioso pelo progresso,  a não perceber que do progresso também faz parte o abandono a tradições ou costumes ultrapassados.    



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