sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vivendo Em Outro Planeta

Há pessoas que vivem como em outro planeta. De uma forma surpreendente são capazes de ignorar toda a existência ao redor. Algumas pessoas acreditam lá dentro de si, que são diferentes, melhores talvez, de posse de propriedades super-humanas.
Propriedade dos náufragos e dos eremitas é o criar um mundo de um homem só. Um universo gigantesco de pessoas imaginárias e personagens que não se enquadram no mundo real...ou terrestre... São idéias que enchem mentes e transbordam num desfile chocante de personagens pois, a essa altura, como num caso de múltiplas personalidades, os indivíduos vão as apresentando umas após as outras esquecendo-se de quem realmente são.
Clarice Lispector um dia escreveu:
“Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.”
Acredito que todos nos deveríamos ser nos mesmos. Deveríamos ter a coragem de viver nesse mundo e enfrentar a realidade como forma de com ela interagir e mudar. Não acho que, como guerreiros, nos é digno o papel de “desertores da realidade” a um mundo paralelo. Nossa realidade tem que ser a de todos e todos devemos ter os mesmos direito de ser...,  seja lá o que for.
Não gosto dos guetos, dos refúgios, das dissimulações. Um espartano deve reivindicar seu lugar na sociedade e lutar por ser bom, ser útil, ter orgulho de si e dos seus. A única maneira de fazer isso é nos unirmos e fazermos com que as pessoas nos olhem com dignidade. Ser o “eu”, mas o “eu” verdadeiro.
Chocar a sociedade gera mais ódio, esfregar na cara dos outros coisas que em posse de nós mesmo – sem as máscaras – não o faríamos não é maneira adequada de reivindicar seu espaço. Não podemos fazer com que os outros nos tratem com normalidade quando nós mesmos nos esforçamos em sublinhar com o grotesco e o bizarro nossa presença, como se fossemos alguma espécie de alienígena residente, ou outros que acabaram de desembarcar de uma nave espacial.  Devemos ser o que realmente somos sem máscaras ou fantasias. Ser o que somos já é em si bem complicado!




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