segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Operários Androphilos e o Mimetismo Social

O bom de se trabalhar com muitas pessoas é a possibilidade de observar a grande diversidade de tipos humanos. Apesar de não serem todos iguais, o que é obvio, o ser humano é amplamente adaptável quando as necessidades ou interesses estão diretamente relacionados. A necessidade de ganhar o sustento faz com que o indivíduo se mimetize ao grupo que venha fazer parte, como um camaleão que se confunde ao ambiente.
A questão é que, dentro das linhas de produção das fábricas ou grupos de muitos homens, onde exista a necessidade real de um enfrentamento ou convívio pelas leis naturais da vida, ou de mercado, o indivíduo dentro desse contexto se adapta e corrige-se (?) a fim de ser aceito pelo grupo com normalidade garantindo assim sua permanência e, porque não, sobrevivência.
Observando o comportamento dos jovens trabalhadores homossexuais, dentro e fora do setor de trabalho predominantemente braçal, a forma de se apresentar e interagir com os outros é completamente diferente. Seriedade, reflexão e profissionalismo dentro dos setores de trabalho, em ambientes outros como bares o boate de homossexuais se transforma em uma explosão de gestos afetados, palavras vulgares e risos desenfreados. O que concluir disso tudo? Sinceramente, não sei. Sou incapaz de afirmar quais das duas naturezas é a real desses indivíduos.
Poderia imaginar cá eu com meus botões que a liberdade permite que o indivíduo revele seu verdadeiro eu sem barreiras, contudo, fica difícil crer que a normalidade de um indivíduo esteja manifesta em um comportamento terrivelmente artificial, num ambiente artificial.
Quando falo do artificial, devemos compreender a natureza masculina do indivíduo, apesar de homossexual, seu gênero continua sendo o masculino e gestual e atitudes femininas seriam aqui algo contraditório.
Contraditório, não errado, pois cada um tem o direito de manifestar-se como bem queira, porém, voltando-se ao ponto inicial, é perceptível a consciência e o controle de tais indivíduos quando a questão envolve a própria sobrevivência dentro do contexto social. Em um grupo de trabalhadores manifestamente másculos, o homossexual conserva-se também “másculo” sem dar pistas evidentes de sua inclinação sexual ao chamado “afeminamento”. Existe então claramente um senso crítico sobre o que seria um comportamento socialmente adequado a esses indivíduos; existe uma consciência do problema em manifestar-se de forma inversa ao que tem como adequado ao grupo. Existe também o marcante fator do preconceito, traço ainda bastante manifesto na maior parte das lideranças e administradores brasileiros nas indústrias e nos serviços mais pesados. Teríamos aqui então um senso apurado de auto-preservação.
As manifestações de hostilidade, muitas vezes acontecem a partir do ponto em que o indivíduo tenta impor sua liberdade de expressar-se dentro de um ambiente predominante masculino-heterossexual à mesma maneira que se manifesta nos círculos homossexuais. Os grupos masculinos não estão prontos para aceitar grandes diferenças, porém prontos para “fazer vistas grossas” e relevar as pequenas diferenças, desde que o indivíduo seja capaz de satisfazer expectativas mais importantes dentro de um determinado contexto, acrescentar valores a coletividade. Entre trabalhadores, um bom trabalhador é respeitado, mesmo sendo “um pouco diferente”, serve-se este sempre do benefício da duvida.
A adaptabilidade as regras de comportamento dos diversos grupos talvez seja a habilidade mais útil que um androphilo possa aprender dentro de uma ferramenta de adaptação a sociedade. A percepção do ambiente e o respeito as regras que regem as relações de convívio dos grupos masculinos pode garantir ao androphilo ampla circulação entre esses grupos. O inverso tem o poder da restrição, restringe o indivíduo aos pequenos círculos de convívio ou guetos onde as diferenças são mais toleradas e até mesmo potencializadas pela alienação da sociedade circundante, a não adaptação aos grupos de trabalho e marginalização nas seleções de mão-de-obra. Cabe a cada um de nós refletir e avaliar qual o comportamento desejável e a conseqüência que o mesmo traz a cada um na satisfação consigo mesmo e sua felicidade.                                                                                                                                                                            





                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

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