quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Violência de Chumbo

Esta noite lí com grande alegria um artigo em português no site de Jack Donovan falando sobre a violência. Li, reli e refleti...Talvez nossa violência não seja dourada.

"Violence is Gold" - "A Violência é Dourada" - Jack Donovan:

Sempre que falamos sobre violência logo lembramos do chumbo...”anos de chumbo” para lembrar da época terrível da ditadura militar, levar “chumbo grosso” quando se fala de represália policial...e por aí vai. Para nós a violência nunca foi dourada a não ser na opulência das jóias da marginalidade.
O fato é que quando transportamos a visão de violência armada, seja das instituições legais ou não, ao cidadão comum há um grande sentimento de impotência. Brasileiros, aprendemos viver com a violência de uma forma grotesca, pois, coisas que espantariam qualquer cidadão americano, europeu ou de quaisquer pais dito “desenvolvido” não nos chocam mais, fazem parte de nossas rotinas, são notícias banais dos noticiários a violência armada e por vezes até nos diverte pelo absurdo. Aprendemos viver com a violência como um doente que, após tentar todas as formas de curar um mal, desiste e aceita a convivência daquilo que lhe destroi as forças, resistindo para uma sobrevida e rezando para que alguém encontre logo uma cura!.
Não deveria ser assim, talvez nos devêssemos mesmo nos indignar, mas não queremos mais pegar em armas! Orgulhamos-nos de ser, em grande maioria, um povo pacifico e lutamos muito pelo desarmamento, pois entendemos que no nosso modelo de sociedade- onde as leis não alcançam de forma igual todos os cidadãos - uma arma na mão de um cidadão não tem um caráter preventivo contra a violência, não se torna defesa, mas a promessa eminente de um ataque. Não queremos armas, pois, como um menino pobre, sabemos que a marginalidade possui “brinquedos” muito melhores do que os nossos e cuja tecnologia e poder de destruição vai muito além da capacidade daquilo que um cidadão normal pudesse tomar para a defesa e de sua família, seu modo de viver. Entendemos, em nossa cultura, que um homem armado, com exceção dos militares, não é um homem de bem, pois o fantasma do “coronelismo” ainda nos assombra. Ao pobre armado não há legítima defesa.
Conhecemos a importância das leis porque vivemos períodos em que esta não valia nada, se hoje vale pouco já nos consola! Ao menos temos algo da democracia. Conhecemos a importância da policia porque vivenciamos todos os dias os heróicos esforços da mesma para conter a violência. Quando sofremos a violência, como bem lembrou-se um cidadão “primeiro lembramos de Deus, depois da policia”.
Quando não nos sobra mais nada, aquilo que antes nos parecia ruim passa a ter algum valor. Como diz o velho ditado: “antes pouco do que nada”. Em relação a direitos, se lutamos pelo nosso “pouco” é porque já vivemos um dia com o “nada”.
Compartilho da idéia de que a violência é algo inerente a raça humana e que não devemos confiar nossa defesa unicamente a “instituições”, porém também acredito que antes de fazer uso da violência o indivíduo deve aprender a discernir quem é o seu real inimigo, se lutamos é porque queremos viver a era de desenvolvimento dos tempos de paz. Em uma época em que lutamos para aprender a escolher nossos governantes de forma democrática já que vivemos anos sendo "burrificados", lutamos para esquecer a violência dos regimes ditatoriais, lutamos para que nossa juventude não empunhem armas nas fileiras do tráfego, e concordamos todos que o “portar armas” deve ser algo realmente ilegal, devemos nós descobrir novas armas que não aquelas de cabo, coronha e gatilho, e lutar!





 


Nenhum comentário:

Postar um comentário